Ogum, pra mim, nunca foi só Orixá enquanto aquele que está fora, longe e deve ser procurado.
Sempre senti como um pai amoroso e presente, desses que andam na frente, sem fazer alarde, mas abrindo estrada pra gente seguir.
Não foi numa gira que eu o conheci… foi na vida mesmo. Nas horas que eu me vi sem saber pra onde ir, e, de repente… lá estava o caminho, aberto.
Ogum me ensina sem palavras. No peso da vida, nas guerras que a gente trava dentro e fora, é Ele que me mostra: “levanta, ajeita tua ferramenta e vai”.

Aprendi com Ele também que guerreiro não é só quem luta. Guerreiro também sabe parar, sabe sentar, respirar, cuidar do cansaço sem medo de parecer fraco, e que, às vezes, desistir também é vencer.
E tem dias que só Ele sabe o peso que carrego. Só Ele entende o quanto, às vezes, é duro segurar a espada sem deixar cair. E é nesses momentos que Ele, sem precisar dizer nada, só está. Me sustenta.
Me faz lembrar que coragem é mais do que vencer.
Ogum me ensinou que perder faz parte, que tem caminho que só se abre depois que a gente aceita perder o anterior. E cada trilha que ficou pra trás, cada estrada que hoje é chão firme, eu sei… foi Ogum quem abriu.
Nesse mês, nesse tempo de louvá-lo, não quero só erguer “jurar bandeira” ou cantar alto — quero sentir de novo, me lembrar que não ando só.
Que Ogum segue à frente, descalço, firme, abrindo o caminho de quem crê.
Porque eu estou vestido e armado com as roupas e as armas de Ogum, cavaleiro de Umbanda, Guerreiro de Aruanda, do Orum ao Ayê!!!
Axé, meu Pai! Ogum yê!

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