A história de Pai Rodrigo Queiroz e a Nova Teologia de Umbanda 

Nova Teologia de Umbanda

Em celebração aos 18 anos de Umbanda EAD e a nova proposta inédita do Curso Teologia de Umbanda, Pai Rodrigo Queiroz realizou uma live para compartilhar o lançamento e expectativas sobre o curso. 

Durante o ao vivo, ele contou sobre sua trajetória desde o começo na Umbanda até os dias de hoje para ressaltar toda sua jornada de aprendizados, experiências e ensinamentos, e o que motivou a nova reformulação do material e das aulas de Teologia de Umbanda.

Sua jornada é uma trajetória de expansão da consciência e redescobertas que reflete a dinâmica evolução da Umbanda. Desde as primeiras descobertas espirituais em sua adolescência até sua posição atual como sacerdote e educador, a trajetória de Rodrigo é uma jornada de aprendizagem e colaboração dentro da Umbanda.

O início da Jornada

Rodrigo Queiroz era um adolescente de 13 para 14 anos, evangélico e morava Bauru, no interior de São Paulo, onde as informações e novidades chegavam com mais lentidão. Em 1996, sua vida tomou um rumo inesperado quando um conhecido de seu pai, um médium que trabalhava com a Entidade Exu Tranca-Ruas, começou a realizar sessões espirituais em sua casa para ajudar com problemas.

Inicialmente cético e influenciado por suas crenças evangélicas, Rodrigo via essas práticas com desconfiança. Durante uma dessas sessões, Rodrigo foi confrontado pela realidade da Umbanda de uma maneira que não pôde ignorar.

Naquela noite, Rodrigo observava a cena com estranhamento: velas acesas e uma pessoa cantava desafinadamente. Então, o Caboclo Flecheiro apareceu, um homem alto e robusto que parecia ainda maior durante a incorporação. Sua presença imponente e a maneira bruta de falar instigaram medo em Rodrigo, que se sentia cada vez mais assustado com o desenrolar dos eventos.

Logo após a partida do Caboclo, o Preto Velho surgiu, trazendo um alento e um sentimento de calma ao ambiente. Em seguida, foi a vez do Baiano, cuja chegada engraçada e leve fez Rodrigo rir. 

O Baiano, percebendo sua diversão, brincou: 

“Você está rindo agora, mas em breve estará aqui ao meu lado.”

Rodrigo riu e descartou a ideia, mas logo veio o Exu Tranca-Ruas, cuja presença causou um arrepio intenso e uma sensação estranha. O Exu revelou segredos que só Rodrigo conhecia, deixando-o surpreso e questionando tudo o que sabia.

O Exu então se mostrou acolhedor, apesar de sua aparência inicial intimidadora. Pediu para que todos saíssem, sentou-se com Rodrigo e começou a dialogar, entendendo suas lutas e dramas familiares complicados. Neste momento, a interação íntima mostrou a Rodrigo uma perspectiva diferente, valorizando sua humanidade e suas experiências transformadoras para ele.

Este episódio foi seguido por um acontecimento marcante durante um trabalho espiritual na cachoeira. Enquanto realizavam um ritual de fechamento de corpo para seu pai, Rodrigo, distanciado e observando de uma elevação, experienciou uma clarividencia. Ele não via mais a água da cachoeira, mas uma luz vibrante movendo-se e ao redor de seu pai, viu indígenas, crianças, uma roda de pretos velhos e jovens vestidos de branco, irradiando uma luz quase solar.

Ao correr em direção ao médium que incorporava o Preto Velho Pai José do Toco, Rodrigo tropeçou e caiu de joelhos. O preto velho, colocando a mão sobre sua cabeça, perguntou se ele havia gostado do que viu.

Emocionado e profundamente tocado, Rodrigo reconheceu a grandeza e a realidade espiritual da Umbanda, declarando sua disposição em seguir esse caminho espiritual. Esta experiência não apenas mudou sua vida, mas definiu o curso de sua jornada espiritual futura.

A busca por conhecimento

Futuramente, o médium que Rodrigo acompanhava, abandonou as práticas espirituais por causa da morte trágica de sua mãe. Assim, Rodrigo Queiroz encontrou-se sozinho em sua jornada espiritual.

Profundamente desamparado, ele se voltou para suas próprias experiências e intuições para guiar seu caminho. Ele lembrou de um dos momentos marcantes dessa jornada, onde ele foi levado a uma mata perto do Campus da Unesp em Bauru (hoje é um bairro residencial). Assim, ele sentiu uma vontade de retornar ao lugar e realizar uma oferenda por um forte sentimento de conexão.

Com frutas e flores que intuitivamente selecionou em uma quitanda, ele preparou o ritual sob uma árvore majestosa, onde acendeu velas e incenso, e se entregou à oração.

Durante essa cerimônia, Rodrigo teve uma vivência clara de clarividência, onde sentiu a presença do Pai Tupinambá, uma Entidade que afirmou que continuaria a história com ele. Essa experiência não apenas o encheu de alegria e conforto, mas também fortaleceu sua determinação em seguir seu caminho espiritual.

Semanas depois, enquanto deixava a casa de um amigo, Rodrigo foi atraído pelo som de um batuque e pelo cheiro de ervas queimadas. Seguindo esses sinais até um pequeno terreiro em uma garagem simples, ele encontrou um espaço de prática espiritual que ressoou com sua busca.

Este terreiro praticava uma forma de Umbanda que era ao mesmo tempo tradicional e espírita, incorporando influências católicas e focada em Entidades como Caboclos, Pretos Velhos e Exus.

Neste novo ambiente, Rodrigo começou a incorporar e a oferecer atendimentos, rapidamente se tornando uma figura central nas giras. O terreiro oferecia respostas que ele buscava, mas também apresentava complexidades e desafios.

Eventualmente, as limitações e as insuficiências nas explicações proporcionadas por esse terreiro motivaram Rodrigo a explorar ainda mais a Umbanda, levando-o a visitar outros terreiros e a expandir sua compreensão sobre a diversidade e profundidade da prática umbandista.

Então ele se encontrou diante de práticas e explicações que muitas vezes pareciam superficiais ou insuficientes. As velas acesas do terreiro e as ervas misteriosas lançadas ao carvão eram tratadas com uma banalidade que o deixava insatisfeito. Rodrigo ansiava por um conhecimento mais profundo, por uma compreensão mais clara dos rituais e simbologias que compunham sua nova realidade espiritual.

Nas suas interações com os mais velhos, enfrentava uma relutância cultural em compartilhar saberes. A revelação de que um dos anciãos não se considerava um praticante da religião, mas apenas um católico praticando caridade com os espíritos, foi particularmente chocante para Rodrigo. Essa confissão não apenas o agrediu mas também o deixou sem palavras, sem saber como responder ou processar a informação entre a fé declarada e as práticas observadas.

Desapontado com as limitações do conhecimento disponível e as respostas evasivas dos mais experientes, Rodrigo buscou a literatura. No entanto, os livros que encontrava eram igualmente frustrantes, limitados a simpatias e desprovidos de algo mais profundo da cosmovisão e teologia Umbandista. Essa insatisfação o levou ao espiritismo kardecista, onde procurou, sem sucesso, respostas mais satisfatórias. Apesar do rigor e do detalhamento oferecidos pelo espiritismo, as explicações não eram parecidas com o que ele vivenciava nos terreiros.

Foi apenas com o encontro das obras de Rubens Saraceni que Rodrigo sentiu um verdadeiro alinhamento entre seus anseios espirituais e os ensinamentos disponíveis. A riqueza e profundidade da Umbanda Sagrada apresentadas por Saraceni ofereciam uma nova perspectiva que combinava teologia, cosmogonia e prática de uma maneira que finalmente fazia sentido para ele. Essa nova fase de aprendizado não só revitalizou seu espírito mas também o posicionou como um defensor da Umbanda Sagrada.

Ao longo dos anos, no entanto, as certezas de Rodrigo foram novamente abaladas. A morte de Rubens Saraceni e as mudanças subsequentes no ambiente de seu ensino o fizeram questionar e reavaliar não apenas suas crenças, mas também o próprio sistema de práticas que havia adotado. Essa crise o impulsionou a explorar ainda mais fundo as raízes e a diversidade da Umbanda, adotando uma postura mais crítica e aberta, que reconhecia a complexidade e a variedade de tradições dentro da religião.

Tempos atuais

A transformação de Rodrigo não parou com sua prática pessoal; ele passou a questionar e desafiar a própria narrativa que havia promovido durante anos. O reconhecimento da Umbanda como uma tapeçaria rica e multifacetada de tradições afro-brasileiras e indígenas o levou a rejeitar qualquer noção de uma “verdade absoluta” em favor de uma abordagem mais inclusiva. Essa evolução refletia não apenas em suas práticas pessoais, mas também em seu papel como educador e sacerdote, buscando sempre uma maior honestidade e integridade em seu ensino e prática.

Rodrigo Queiroz, ao longo dos anos, desenvolveu uma compreensão profunda e transformadora sobre a Umbanda, percebendo que esta não é uma prática monolítica, mas sim crenças e práticas diversas. Ele reconheceu que a Umbanda Sagrada é uma entre muitas vertentes, todas válidas e ricas em cultura e espiritualidade. Isso o levou a buscar um diálogo mais aberto entre as diferentes práticas de Umbanda e mesmo com o Candomblé, enfatizando a necessidade de compreensão e respeito mútuos.

Com esse espírito de abertura e aprendizado, Rodrigo fundou a EAD Ubuntu, um curso acadêmico que aborda a teologia, a cosmologia, e a cultura afro-brasileira através de disciplinas como antropologia, sociologia, filosofia e história das religiões. Esta iniciativa reflete seu desejo de explorar as diversas faces da Umbanda e entender como diferentes interpretações podem coexistir e enriquecer a prática religiosa.

Rodrigo também mergulhou no estudo das sabedorias ancestrais que formam a base dos terreiros, buscando entender as variações dentro da Umbanda — como a Umbanda Zelista, a Umbanda do Tata Tancredo, e outras formas como a Kimbanda. 

Este estudo não só ampliou sua visão espiritual, mas também o transformou, permitindo-lhe adotar uma postura de Erê — um estado de consciência que acolhe o conhecimento novo de maneira inocente e sem julgamentos, semelhante à forma como uma criança aprende sobre o mundo.

Esse novo caminho levou Rodrigo a uma jornada mais profunda sobre a diversidade da Umbanda. Ele aprendeu com Pai Tupinambá que a Umbanda é como um quebra-cabeça, que se compõe de muitas peças diferentes, cada terreiro contribuindo com uma parte única para o cenário mais amplo da espiritualidade brasileira. 

Esta visão foi fortalecida por uma metáfora compartilhada pelo Pai Tupinambá, que descreveu a Umbanda como um mosaico de belezas distintas, onde cada configuração de prática e crença completa a imagem de uma maneira que apenas a diversidade poderia alcançar.

Inspirado, Rodrigo começou a reavaliar sua própria compreensão da religião. Ele reconheceu a necessidade de abraçar as variações dentro da Umbanda e de respeitar as práticas que inicialmente pareciam contradizer sua própria experiência. Esta mudança de perspectiva o levou a promover um diálogo mais inclusivo entre diferentes práticas de Umbanda e entre o Candomblé, destacando a importância de entender e respeitar cada abordagem única.

A sabedoria dos guias espirituais, como o Pai Tupinambá, o Pai João de Angola e muitos outros, ajudou Rodrigo a entender que as certezas podem, por vezes, limitar nossa capacidade de ver a verdade. Aprendendo a reconhecer e valorizar as muitas “Umbandas”, ele encontrou uma nova segurança em sua fé, que não é baseada na rigidez, mas sim na flexibilidade e no respeito.

Rodrigo passou a ver a Umbanda não apenas como uma prática religiosa, mas como um sistema sociopolítico que pode promover significativas mudanças sociais e culturais. Ele enfatizou a necessidade de uma comunicação eficaz e de um reconhecimento mútuo entre os praticantes para superar preconceitos e para avançar em direção a uma compreensão mais inclusiva e respeitosa da diversidade religiosa.

A Nova Teologia de Umbanda

Após décadas de profundo envolvimento e desenvolvimento dentro da Umbanda, Pai Rodrigo Queiroz consolidou sua experiência, marcada por desafios e descobertas, em um caminho espiritual que ressoa profundamente com suas crenças e valores, apoiando na criação de um novo espaço de conhecimento e formação.

O novo Curso de Teologia de Umbanda é uma extensão de sua trajetória e tem o objetivo de compartilhar um conhecimento aprofundado sobre a rica tradição da Umbanda, com todas as suas vertentes, abrindo portas para uma compreensão mais ampla, inclusiva e segura da religião.

O curso abordará sobre a Umbanda popular, tradicional, sagrada e esotérica, e proporcionará contato com outras possibilidades através de diversas lideranças religiosas. 

Será aprofundado desde os fundamentos básicos até aspectos complexos da prática umbandista, estruturados em módulos detalhados que exploram a teologia, as práticas, a organização dos terreiros e muito mais.

Matheus Gobbi

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