Candomblé não é uma “coisa” só

Candomblé não é uma coisa só

Esse artigo é um resumo do segundo dia do Evento Ubuntu: “Candomblé não é uma coisa só” com o Prof. Dr. Bàbá Márcio de Jagun

Em nosso Ao Vivo “Candomblé não é uma coisa só” durante o Evento Ubuntu, tivemos o privilégio de ouvir o Prof. Dr. Bàbá Márcio de Jagun, responsável por cinco disciplinas da nossa Pós-graduação em Teologia Cosmologia e Cultura Afro-brasileira.

A aula também contou com a presença de um convidado secreto, o Humbono Rogério de Olissa, que compartilhou suas experiências e conhecimentos para deixar a aula ainda mais rica.

Essas diversidades de perspectivas foram fundamentais para aprofundar nosso entendimento sobre as diversas manifestações do Candomblé.

O Candomblé é uma religião afro-brasileira plural, que se manifesta em várias nações ou linhagens, cada uma com suas particularidades e tradições. As nações mais conhecidas incluem: Ketu, Jeje, e Angola, cada uma representando uma matriz cultural e espiritual distinta, com deidades e práticas específicas.

A aula destacou a importância de entender o Candomblé em sua pluralidade. Prof. Dr. Bàbá Márcio de Jagun ressalta que “os Candomblés são diversos”, uma reflexão necessária em uma sociedade formada pela multiplicidade de matrizes africanas, diversidade étnica e idiomática.

Essa compreensão vem de uma dolorosa história marcada pelo “Holocausto Negro” e pela diáspora forçada que durou cerca de 400 anos, trazendo homens, mulheres, crianças e idosos de diversas regiões da África para o Brasil.

Esses indivíduos não apenas trouxeram suas culturas e religiosidades, mas também elementos de diferentes partes da África que foram amalgamados e recontextualizados no Brasil, formando as bases do que conhecemos como Candomblé.

Ao longo dos séculos, diferentes nações de Candomblé se formaram, mantendo viva as suas raízes africanas. Cada uma destas manifestações culturais nos revela um aspecto de práticas e crenças distintas, mas unidas pela experiência compartilhada de resistência.

Discutimos também os aspectos culturais e teológicos do Candomblé, abordando como as práticas e crenças foram adaptadas e transformadas ao longo dos séculos. A complexidade é evidente na maneira como as divindades são revividas e cultuadas, refletindo suas origens e raízes culturais.

Os Candomblés no Brasil se adaptaram em resposta às necessidades e ao contexto dos povos africanos que aqui foram escravizados por 400 anos. Por exemplo, Ogum, originalmente uma divindade da agricultura e tecnologia, foi predominantemente cultuado como um guerreiro no Brasil, refletindo a realidade enfrentada. Esta reinterpretação dos Orixás é um exemplo de como as práticas religiosas são recontextualizadas para atender às realidades locais.

Além disso, a diferenciação entre as nações do Candomblé, como Ketu e Angola, o culto aos Orixás, Inquices e Voduns, ilustra a diversidade teológica dentro da religião. A identificação dessas nações emergiu historicamente nos registros aduaneiros no Brasil, onde os africanos eram classificados por origem.

Isso levou à formação de comunidades religiosas distintas que preservavam e adaptavam suas práticas e crenças ancestrais.

Um ponto chave da discussão foi sobre o sincretismo religioso. Esse sincretismo já era uma característica no desenvolvimento do Candomblé no Brasil. Mas é importante entender que ele não nasceu aqui; chegou com os povos africanos.

Ao chegarem ao Brasil, esses povos, que possuíam diferentes etnias, denominações e cultos peculiares, começaram a se organizar em lugares que chamamos de “casas matrizes” para seus cultos.

Essa mescla é observada na incorporação de elementos do cristianismo e de outras tradições religiosas, refletindo uma estratégia de sobrevivência e resistência cultural sob a opressão. A associação entre divindades de diferentes culturas, como a sincretização de São Jorge e Ogum no Sudeste brasileiro, demonstra como as práticas religiosas se adaptam e se amalgamam.

Essas estruturas, na maioria das vezes, indicam uma estratégia de solidariedade e fortalecimento. O Candomblé não era praticado como é hoje, pense na religião que já mudou significativamente até os tempos atuais. Se hoje, as crenças são perseguidas, discriminadas e vulneráveis, imagine há 200 anos.

A complexidade e adaptabilidade dos aspectos culturais e teológicos do Candomblé destacam sua resistência às circunstâncias locais e, também, a resiliência de suas tradições ao longo dos séculos.

Também foi abordado sobre os desafios enfrentados pelos praticantes, incluindo a discriminação e a luta pela preservação de suas tradições em um contexto muitas vezes hostil.

É fundamental reconhecer a resiliência dos Candomblés, que não só sobreviveram por séculos por acaso, mas sim através de esforços

consideráveis e estratégias bem delineadas. Essa resiliência é profundamente influenciada pelas metodologias que exploraram a ciências e métodos pedagógicos que valorizam a oralidade. Ao contrário dos livros, a Oralidade é uma ferramenta poderosa, ela é gravada nos sentimentos e emoções, tornando-se inesquecível e indestrutível.

Os métodos de aprendizagem utilizados nos Candomblés enfatizam a inclusão, respeito à diversidade, solidariedade e uma abordagem não competitiva, essenciais para a formação de pessoas.

O Candomblé prepara indivíduos não apenas para iniciações religiosas, mas para serem cidadãos conscientes, respeitosos e integrados à sociedade, cultura, religião e a natureza.

Ao refletirmos sobre o que foi discutido, é importante reconhecer que, embora tenhamos coberto vários aspectos fundamentais sobre os Candomblés, ainda há muitas áreas que merecem nossa atenção em futuras discussões.

Matheus Gobbi

Copywriter e UX Writer, especialista em conteúdos multiculturais e globais. Formador em Jornalismo, Relações Públicas, Rádio/TV e Pós-Graduado em Marketing Digital.

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