16 diferenças entre Umbanda e Candomblé que você ainda não sabia

Temos semelhanças, mas não somos iguais!

Para entendermos as diferenças e possíveis semelhanças dessas duas vertentes religiosas, vamos fazer um breve comentário sobre o contexto histórico do Candomblé.

Na África antes e durante o processo de escravidão existia – hoje em proporções quase nulas – o culto aos Orixás. No Continente ele acontecia como um culto familiar e tinha relação com as regiões povoadas pelas tribos e reinos, era como se cada território pertencesse a um Orixá.

Estima-se que existiam mais de 300 Orixás distribuídos nas mais variadas formas de cultos.

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Essas tradições foram trazidas para o Brasil pelos diversos grupos de povos africanos e aqui passaram por processos que acabaram culminando no que hoje, nós conhecemos como Candomblé. A religião dos cultos de nação se classifica como uma religião afro-brasileira, pois nasce em solo brasileiro mas possui matriz africana, buscando o resgate dos aportes religiosos e culturais africanos.

Ekedi, Prof. e Dra. Patricia Globo explica no estudo sobre a Tradição do Candomblé, que a crença é fruto de uma condição histórica específica, conhecida como escravidão e que se consolidou no Brasil no mesmo processo em que a Santeria aconteceu em Cuba e o Vodoo no Haiti.

Nesta explicação simplificada de como a religião se estabeleceu no país, já começamos a entender sobre suas diferenciações, tais como sua base de fundamentação.

 

Veja abaixo algumas DIFERENÇAS entre Candomblé e Umbanda:

 

1 – Origem. Candomblé é um culto afro-brasileiro, Umbanda é uma religião genuinamente brasileira (agrega influências dos cultos africanos, porém incorpora outras crenças também, evocando o aspecto miscigenado do país).

2 – Orixás. Mesmo sendo duas religiões que mantém o culto aos Orixás, cada uma trata de uma forma diferente esse culto. Orixá na Umbanda é um mistério de Deus, para o Candomblé Orixás são ancestrais divinificados, considerados Deuses da natureza.

3 – Espíritos. Umbanda reconhece nas entidades de trabalho (espíritos de pessoas que desencarnaram e ao transcender atingiram o grau de mestres espirituais, que voltam à terra (por meio da incorporação do médium) para prática da caridade. No Candomblé mais tradicional, espírito humano que volta à terra para a manifestação por meio de alguém encarnado é um Egun, espécie de alma penada.

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4 – Assistência. No Candomblé o atendimento das pessoas é feito por meio da consulta de búzios, já na Umbanda o passe – benção/limpeza espiritual – e a conversa com os espíritos através dos médiuns incorporados durante a gira, é a maneira mais comum dos visitantes do terreiro se relacionarem com a espiritualidade.

5 – Transe X Incorporação. No Candomblé (mais ortodoxo) espírito humano (Egun) não pode se manifestar e o transe acontece no Ori (cabeça da pessoa). Nessa ritualística a manifestação acontece de dentro para fora e se dá com seu Orixá pessoal, que vem para se apresentar e dançar ao som dos atabaques. De uma maneira geral o candomblecista não tem como prática a incorporação e a mediunidade portanto, não é um precedente dessa religião.

6 – Esquerda. Exu na Umbanda é um espírito desencarnado que remete a figura do guardião. No Candomblé Exu é Orixá.

7 – Abate de animais. Na Umbanda não se tem como prática litúrgica abate religioso de animais, no Candomblé em determinadas datas do ano acontece as festas dos Orixás, onde os animais serão abatidos para servir a mesa dos filhos da casa e da comunidade que frequenta o Ilê, ademais o sangue e vísceras não utilizados para consumo são oferecidos para os Orixás.

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8 – Sincretismo Religioso. A Umbanda assume o sincretismo com a Pajelança do índio, com o culto aos Orixás do negro africano e com a vertente Católica dos europeus. Já o Candomblé em suas maiores expressões tem como premissa o movimento de retirada dos santos católicos dos Ilês, em decorrência dos acontecimentos históricos no período da escravidão, onde movimentos de catequisação e opressão da fé africana aconteciam veementemente no país.

9 – Ilês e Terreiros. A estrutura física dos Ilês (casa de culto do Candomblé) se difere em muito do terreiro umbandista. No Candomblé não é característico como na Umbanda a presença da estrutura do altar por exemplo. Na forma mais tradicional o ilê é um salão espaçoso, que podem ser encontrados em formato de círculo, onde no centro encontramos um pilar, chamado de ‘Ari Axé’, nesse espaço acontece as festas públicas, onde os filhos de santo em transe com os Orixás se apresentam para toda a comunidade. Além disso, para os Orixás, existem também os quartos, chamados pelos adeptos de ‘pejis’.

Lá se encontram os assentamentos e é também, onde os filhos de santo em preparação permanecem durante suas iniciações. O terreiro de Umbanda além do altar já colocado no início do tópico, é comum que se tenha uma fonte/cachoeira e assentamentos com imagens de Santos, Orixás e entidades. Normalmente é de frente para o Congá (altar) que as cadeiras estarão posicionadas, onde a corrente mediúnica e sacerdote se encontram para palestra pública e atendimento.

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10 – Iniciação. No Candomblé diz-se sobre a iniciação “dar obrigação”. Esse é o momento que a pessoa reconhecida (normalmente pelo jogo de búzios) para ocupar algum cargo no terreiro, escolhe se vai querer ser iniciada ou não. Na Umbanda nós chamamos o preparo do novo médium, cambone ou ogã, de desenvolvimento mediúnico e a forma que ele acontece pode variar de terreiro para terreiro, normalmente apresenta-se e abre à esses, os mistérios dos Sagrados Orixás à qual a casa cultua.

No Candomblé a iniciação normalmente implica na vivência e na reclusa (dias, semanas ou meses) desse filho para prática e aprendizado de atividades desenvolvidas no terreiro (cantos, comidas dos Orixás, rezas, mitos, saudações e etc). O filho de axé irá passar por esse processo outras vezes, assim que a iniciação tenha completado 1 ano, depois 3 anos, 5 anos e por fim 7 anos.

11 – Hierarquia. No Candomblé, antiguidade é posto, por isso os mais velhos da religião são reverenciados pelos mais novos, esse tempo é contado pelo tempo de iniciação (comentado acima) da pessoa. Pode ser que uma pessoa de 20 anos seja hierarquicamente mais velha que uma de 50. Na Umbanda as hierarquias só acontecem entre os cargos, por exemplo o primeiro cargo de um terreiro é o Pai de Santo, seguido pelos Ogãs, Cambones e Médiuns.

12 – Candomblecista e Umbandista. Na Umbanda todo mundo que frequenta um terreiro e vive seus princípios em sua vida é umbandista. No Candomblé todo mundo é filho de santo, mas somente os iniciados são do Candomblé.

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13 – Vida pós morte. No Candomblé assim como na Umbanda, na medida de suas diferenças de interpretações, acredita-se no retorno do espírito para a terra após a morte. A reencarnação no Candomblé interage com o culto aos Egunguns (ancestrais) e não tem um objetivo fundamental para que aconteça. Para o candomblecista o retorno se dá pelo fato que a vida em terra é boa. Na Umbanda cada vida é uma oportunidade de aprendermos e evoluirmos, para que ao transcender possamos passar para outro estágio de forma de vida.

14 – Vestimentas. Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, o uso do branco é algo muito presente, entretanto, para o Umbandista tem-se o uniforme que pode ser no modelo de saia e camiseta branca ou calça e camiseta branca, variando para o uso de vermelho e/ou preto nas giras de Exu e Pombagira, ademais haverá terreiro em que as entidades usam elementos como capas, cartolas, lenços e etc, mas o uniforme padrão ainda continua sobreposto e isso já é algo que existia na Tenda Nossa Senhora da Piedade, considerada a primeira casa de Umbanda.

Já no Candomblé o uso de adornos (balangandãs), roupas específicas para cada Orixá sempre trazendo muita cor e brilho, pinturas no corpo e rosto é algo da tradição. Nessa crença, para se ter poder é preciso estar Odara. Odara na língua iorubá é o bom e o bonito em uma mesma conjunção.

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15 – Elementos. No terreiro de Umbanda é comum o uso de objetos magísticos e sagrados, onde alguns deles como os búzios, as contas e guias, ervas, sementes, raízes, otás (pedras), instrumentos remontam a estruturas da ritualística africana, presente no Candomblé, entretanto em cada uma dessas vertentes utilizam essas objetos com um fundamento.

16 – Atabaque. No Candomblé sem música o Orixá não vem em terra, a presença do tambor é algo extremamente importante para o ritual de transe dos Orixás. Na Umbanda haverão casas que se utilizam dos atabaques para o toque dos chamados pontos de Umbanda, que também são diferentes dos cânticos africanos aos Orixás do Candomblé normalmente entoados na língua africana que aquele ilê tem como vertente.

No terreiro de Zélio Fernandino de Morais, fundador da Umbanda, por exemplo, não se fazia o uso do atabaque e os pontos eram entoados somente acompanhados pelo vocal dos médiuns e assistência, entretanto hoje a maioria dos terreiros umbandistas adotam os instrumentos.

 

 


 

Cada uma dessas religiões possui suas fundamentações, ritos e estrutura religiosa específica e que diferem (e muito!) entre si. É disso que a professora, doutora e ekedi do  Ilê Axé Iemojá Orukoré Ogum – Casa das Águas, trata no estudo sobre o Candomblé e sua vasta tradição por meio da plataforma Umbanda EAD.

 

Veja também: Estudo, Pesquisa e Vida Religiosa. Saiba mais sobre a Prof e Ekedi Patricia Globo

 

“O CULTO AOS ORIXÁS PERMANECE VIVO, FORTE E DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO”, Patricia Globo.

 

 

 

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Texto:

Júlia Pereira

Imagem:

Carybé

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6 comentários

    1. Irmão, com isso queremos dizer que a mediunidade (como é certo) remete a comunicação entre espíritos humanos desencarnados e encarnados, o que no Candomblé mais ortodoxo (como dito) pode ser considerado um Egun. Enfim, o candomblecista (não é uma regra) dispensa a mediunidade e recorre ao transe espiritual com os orixás.

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  1. O esclarecimento esta de acordo com o entendimento que me foi ensinado dentro da Umbanda. Parabéns aos mediadores pelo belo texto,explicado com palavras simples e de fácil entendimento por parte de pessoas leigas que buscam entender e conhecer sobre as nossas religiões e pouco da nossa cultura religiosa!

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  2. Se vocês são umbandistas, falem apenas da Umbanda. Há várias informações incorretas nesse texto sobre o Candomblé, claramente escritas por pessoas que não são iniciadas.

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  3. Li e achei interessante, a prática religiosa deve ser respeitada sempre.
    A pouco tempo, fui pra Salvador e conheci um pouco sobre as tradições religiosas de lá, foi muito bom. Gostei!!!
    Não sou da Humbanda nem do Candomblé, mas respeito muito, e é uma parte da história do Brasil.

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