O que é animismo na Umbanda?

No texto de hoje, teremos algumas observações sobre animismo e qual o seu significado dentro da Umbanda. É ruim? É bom? Quando acontece?

Animismo deriva da palavra ânima, que vem do latim e que corresponde ao termo alma e/ou vida.

Alguns estudiosos como o psiquiatra e criador da psicologia analítica Carl Gustav Jung dissertam sobre isso comentando que ânima diz sobre a expressão ou a personalidade que o ser encontra em seu inconsciente.

Não nos aprofundaremos nessa vertente do assunto, mas, é dentro dessa concepção que o animismo é trabalhado dentro da Umbanda. Entendemos que o nosso corpo é portanto, “animado” por uma alma.

Vai ser essa alma que irá sentir e ter intenções, dotando o ser de suas decisões e desígnios. Dentro disso, concluímos que: se nós temos uma alma que nos anima, quando a mediunidade é exercida outra alma também passa animar o nosso corpo.

O corpo que abrigava apenas a alma do ser, naquele momento se torna o instrumento de trabalho de duas almas, a do médium e a da entidade.

Podemos dizer que as duas almas passam a trabalhar em conjunto. A entidade: trazendo o que ela tem para contribuir no momento; e o médium:  servindo de morada e também oferecendo o que ele traz consigo de conhecimento de causa. Desta, forma entidade e médium se complementam para formar a mensagem que será repassada ao consulente.

Mas para que a conexão, o trabalho e a mensagem de ambos esteja em equilíbrio é necessário que o médium esteja realmente preparado para isso.

Por isso, é imprescritível que a preocupação foque na preparação do médium do que com o animismo em si.

O pronunciamento da alma do médium no atendimento é um fato e ocorre rotineiramente durante as giras, ninguém está imune a isso.

Portanto, poucos para não dizer raros, são os casos em que o médium é realmente e totalmente inconsciente.

Pai Rodrigo Queiroz fala disso no estudo Mediunidade na Umbanda “existe uma ideia de que todo mundo é inconsciente ou todo quer ser inconsciente, como se inconsciência fosse o grande trunfo ou o grande retrato da evolução [..] Não se trata de mistificação quando um médium está no transe fazendo o seu melhor e por algum motivo se pronuncia e imprime algo interno também. Não dá pra saber quando isso realmente foi uma vontade do guia de trazer à tona algo que o médium pode colaborar – mesmo estando no meio do transe – ou se o médium se precipitou”.

Como dito, o animismo é algo que ocorre sem que o consulente e até mesmo o médium percebam. Isso acontece, porque o médium que está devidamente preparado e desenvolvido espiritualmente, tem a sabedoria necessária para estabelecer esse contato profundo com o guia.

Sendo assim, ele apoia-se no transe mediúnico de tal maneira, que as duas almas encontram uma conexão perfeita que faz vibrar suas expressões em perfeita harmonia. Assim, o médium não “atropela” as contribuições que o guia tem a trazer e este também dá espaço para as expressões do médium.

É claro, que não se sabe até que ponto que é o médium que está falando ou o guia e isso é o resultado desse transe profundo.

Pai Alexandre Cumino fala sobre incorporação consciente e insconsciente no livro Médium Incorporação não é Possessão. “Podemos ter médiuns inconscientes que em nada interferem na comunicação, já que esta é a polêmica nos terreiros, mas com sintonia básica e afinidade espiritual negativa.”

Ele continua dizendo que os fênomenos dispõe de menor valor do que a doutrina em si, sendo mais importante uma entidade de luz que não faz uso de muitas caracterizações em seu médium, mas que transmite tudo o que os Orixás esperam, do que um “zombeteiro”.

Levando isso em conta, o animismo acaba sendo o que existe de mais rico na experiência mediúnica, pois, a partir do momento em que entidade e médium realmente se fundem em prol do trabalho norteados pelo amor, terreiro e comunidade transcendem.

Amanhã, o blog vai continuar abordando o assunto do animismo e nessa perspectiva vamos tratar também sobre a mistificação e que essa sim, é uma grande preocupação dentro dos terreiros e lembrada pelos guias.

Para quem quer se aprofundar nesse e outros assuntos sobre a mediunidade, indicamos o estudo – que está com inscrições abertas – ministrado e desenvolvido por Pai Rodrigo Queiroz, Mediunidade na Umbanda.

 

 


 

Texto:

Júlia Pereira

 

Imagem:

 

Pixabay

 

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