Tenho medo de incorporar

Mediunidade na história da Umbanda

Certamente, todos os dias pessoas são identificadas como médiuns por entre os incontáveis terreiros espalhados pelo país. Na Umbanda a mediunidade mais comum e a qual também se dá a sustenção da existência da religião, é a incorporação.

Amanhã estarei na casa deste aparelho, simbolizando a humildade e a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

A manifestação dos espíritos onde o médium se vê caracterizado pelas particularidades daquela entidade, tido pela literatura umbandista como ‘arquétipos’ é também algo exposto de maneira deturpada por outras vertentes religiosas, que na ânsia de arregimentar fiéis definem e rebaixam essas manifestações como possessões demoníacas.

Nas novas religiões evangélicas brasileiras, houve uma demonização das entidades de Umbanda, especialmente Exu e Pombagira e assim é comum que os adeptos incorporem essas entidades como se elas fossem demônios que necessitam ser expulsos.

Pai Alexandre Cumino

Com a propagação dessa ideia de incorporação no imaginário popular brasileiro eclodem histórias e mistificações em torno do que é a principal forma de comunicação e relacionamento entre encarnados e desencarnados (tidos como Mestres) na Umbanda. Por essas e outras a incorporação para o recém chegado acaba se tornando algo de muita dúvida, desconfiança, incerteza e medo.

A incorporação é um ato de amor, no qual o médium tem a oportunidade de unir-se misticamente a seus guias e Orixás. Nas religiões de transe acontece isso, algo muito especial, seus mestres e suas divindades vêm à terra e lhe tomam como morada para sua manifestação.

Pai Alexandre Cumino

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Sexto Sentido

Fora todo o ideal negativo que foi se construindo no inconsciente social sobre esse tipo de manifestação, o médium ainda conta com suas próprias dificuldades em entender algo fora do seu cotidiano, atípico as religiões dominantes e ainda envolto de muitas fantasias pelos próprios umbandistas.

Para amenizar o medo e quem sabe tranquilizar àqueles que apesar de todas as sensações físicas ou de terem sido identificados como médiuns, ainda se encontram no dilema entre se deixar levar pelo transe e racionalizar tudo o que está acontecendo, traremos um pouco da mecânica da incorporação e como, o que acontece com você pode ser explicado sem crise.

Os 5 sentidos humanos são a nossa capacidade de interpretar o mundo a nossa volta e com isso nos relacionarmos com essa realidade nos esquivando de perigos e realizando novas descobertas. Temos nesse conjunto a visão, o tato, o olfato, o paladar e a audição. São esses nossos “superpoderes” que nos asseguram uma vida segura nesse ambiente, talvez em outros planetas precisássemos de outras capacidades.

Dentro disso ainda tem-se a ideia do sexto sentido, sexto sentido de mãe, intuição, sensação de que algo está pesado no ambiente.. certamente você já ouviu falar sobre ele.

E podemos afirmar que sim, ele existe! Para nós o sexto sentido, nada mais é do que a capacidade humana de se comunicar e relacionar com outros planos da vida e com realidades paralelas à nossa. Resumidamente, o sexto sentido é a mediunidade.

Nesse contexto de sexto sentido (e agora já entendemos a mediunidade como algo natural ao homem, tal como o tato, olfato e etc) vivemos diversas facetas de uma mesma capacidade, por isso existirá médiuns de diferentes categorias mediúnicas, sendo possível que alguns desenvolvam mais de um tipo de mediunidade.

Até aqui concluímos que a incorporação como um fenômeno mediúnico não pode ser uma possessão.

 

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Chakras e a incorporação

Talvez uma das maiores dúvidas de médiuns incorporantes seja o que está acontecendo no momento que o espírito vem em terra. Para explicar essa questão tomaremos o conceito dos chakras que segundo algumas filosofias são os centros energéticos existentes em nosso corpo, que têm como função distribuir energia prânica por meio dos seus canais, abastecendo nossos órgãos e sistemas.

Doenças físicas e emocionais são associadas ao desequilíbrio dessas energias vitais que formam os chakras, nessa perspectiva toda energia negativa acumulada é somatizada pelo corpo e transformadas em patologias como o câncer.

Veja abaixo uma animação que explica a distribuição dos chakras:

 

Mecânica da Mediunidade de Incorporação

Uffa, chegamos ao ponto crucial do nosso texto: como acontece a incorporação.

O ato de incorporar uma entidade consiste em fazer a conexão entre os chakras do médium e os do guia. Desta forma, no momento da incorporação nosso espírito continua habitando o corpo físico sem que haja a necessidade de se ceder esse lugar para que entidade possa trabalhar.

Ele entra no campo magnético do médium, irradiando sua energia nele.. o médium vai se acostumando com aquilo e depois ele (entidade) projeta um cordão do seu frontal na nuca que é o frontal do médium, realizando a conexão.

Pai Rodrigo Queiroz em estudo sobre Mediunidade na Umbanda

Neste momento o guia “acosta” (maneira popular de falar que a entidade está próxima do seu campo mediúnico) e o médium começa perceber algumas ocorrências em sua estrutura física.

Serão nesses minutos e segundos que antecedem a incorporação que sentimos um turbilhão de sensações: nervos que você nem sabia que existiam passam a vibrar pelo seu corpo, o coração eleva o batimento como se estivéssemos em meio a uma corrida, mãos e pés gelados, seu corpo já não tem o equilíbrio de antes, as pálpebras definem um perfeito tique nervoso, a visão começa ficar um pouco turva e às vezes desfocada nas laterais, acima da cabeça é possível notar um foco de luz que sai e se espalha pelo ambiente..

De uma coisa todos têm certeza: algo muito extraordinário está acontecendo ali. Talvez a melhor experiência de nossas vidas.

Corpo treme, alguns giram, outros tantos sentem um tranco, há também os mais discretos. Não importa a forma que se dá, o que importa agora é que o “plug” está conectado.

Homens e mulheres num êxtase religioso, Orixás e Entidades manifestando seu sagrado. Um pedacinho de Deus está em terra e dança, cumprimenta, conversa, saúda e se relaciona com cada um dos seus filhos. A Umbanda ritualiza esse encontro.

Você ainda estará ali, consequentemente sua consciência também, quanto mais concentrado estiver maior será o aproveitando dessa experiência. A concentração é o cabo de sustenção entre os plugins dos chakras da entidade e os seus.

 

 

Certa vez Pai Rodrigo Queiroz foi questionado sobre o que acontece depois daquela “sensação de infarto” sentida durante as giras e prontamente respondeu “deixa infartar!”.

A incorporação é parceria, entrega e toda uma disposição depositada num evento que acontece em suas entranhas. O “deixar infartar” é deixar-se levar pelo o que vem a seguir, é sentir o outro que está agora junto de você e mais, que anima sua alma. A partir dai pensa-se e age-se em conjunto, consulentes e médiuns estão em seu “Corpus Christi da Umbanda”, a comunhão com o que pra nós é a máxima expressão de Deus, está sendo vivida ali.

No momento da despedida de novo algumas sensações, o tremor volta, as pernas bambeiam e a entidade “canta pra subir”. Pai Rodrigo explica esse processo no estudo Mediunidade na Umbanda dizendo que nosso corpo reage ao banho de energia que está recebendo “no momento da incorporação estamos na redoma magnética do guia, subjugado ao seu magnetismo e ligado aos seus cordões energéticos, ao desconectar acontece uma reação orgânica”.

Junto disso ele também explica que as reações orgânicas são algo muito comum, sendo o bocejar a mais frequente “quando adentramos um espaço sagrado seja ele um terreiro ou até mesmo uma igreja, nosso corpo reage por estar em contato com uma energia diferente e por isso acontece o bocejo por exemplo“.

De uma maneira simplificada essa é a dinâmica de incorporação que acontece na Umbanda. O medo normalmente habita o campo do desconhecido, portanto, conheça sua religião entenda seus múltiplos aspectos, viva seu mistério e se entregue à essas experiências!

SALVE O BRANCO, SALVE OS MÉDIUNS DE UMBANDA! 

 

 


 

*Esse texto assim como outros publicados aqui no blog têm como referência de pauta resultados de pesquisas feitas na internet e que redirecionam as pessoas ao nosso endereço. Desta forma, ressaltamos aqui o comprometimento do Blog Umbanda EAD em observar com respeito e dedicação a todas as pessoas que procuram por informação, explicação e um norte para o que sente e vivencia no ambiente de Umbanda.

 


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Texto

Júlia Pereira

Imagem

Pedro Belluomini

 

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Um comentário em “Tenho medo de incorporar

  1. Amei este texto. Retornei à Umbanda a pouco mais de um ano e meio, após quase 40 anos de afastamento. Vejo que muitas coisas não mudaram muito. Porém muitas e muitas outras foram acrescidas, enriquecendo mais nossa amada Umbanda. Tudo o que foi descrito neste texto, de uma forma resumida, deixa bem claro como acontece a incorporação. Um “fenômeno” dentro da Umbanda, tão incompreendido pelos próprios umbandistas. Estudar é preciso! E muito! Ninguém deve ficar engessado em sentido algum da vida. E muito menos um umbandista, se quer que realmente a Umbanda seja vista e respeitada como uma religião linda e maravilhosa!

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