O que “as Umbandas” têm em comum?

É com essa pergunta que Pai Alexandre Cumino inicia a terceira aula do curso Teologia de Umbanda – Tu (alerta de spoiler) e aproveitando o gancho, o Blog Umbanda EAD lança uma pergunta à você leitor: existe uma Umbanda verdadeira?

Bom é sobre essa diversidade de formas de se fazer Umbanda e o que elas compartilham em comum que o texto de hoje se dispõe a falar! 

Uma religião NÃO dogmática

A Umbanda como a maioria de nós já deve ter escutado falar é uma religião livre de dogmas, ou seja, na Umbanda não existe uma única verdade a ser seguida, não temos como restrição o pecado, não elegemos um papa e nem temos como confissão de fé uma escrita sagrada.

O sagrado para o umbandista está na natureza e o zelo com a saúde mental, emocional, espiritual e física é o que nos distancia do que é prejudicial ao nosso viver e que pode ser entendido (mas não somente) como pecado para outras instituições religiosas.

Enfim, entendemos que a Umbanda não comporta dogmas, mas não obstante, a prática umbandista possui fundamentos e esses se encontram alicerçados no ritual de Umbanda, que por sua vez, a definem e a distinguem das demais crenças.

A maioria das  religiões possuem templos e estrutura sacerdotal para a manutenção do templo e do ritual, no entanto não é imprescindível esta estrutura. Algumas fazem da natureza o seu templo vivo, outras encontram o ser humano como templo ideal para suas práticas voltadas à introspecção.

A Umbanda e o Umbandista, Alexandre Cumino

O que é ritual?

ritual é o que define a unidade da Umbanda. Ele está presente em todas as Umbandas, no que chamamos de sessões ou giras, logo ao pisar em um terreiro já estamos em contato com a ritualística que envolve a religião, que podem ser concebidas de maneiras diferentes, mas que possuem fundamentos em comum.

É o ritual que irá definir o momento de rezar, de cantar, de incorporar, de saudar determinada linha, de dar consulta e de encerrar. Pai Alexandre Cumino exemplifica isso em Tu “na Umbanda esse ritual irá acontecer normalmente com uma oração de abertura, uma saudação à esquerda, a defumação, o bater cabeça, a louvação ao chefe da casa, a incorporação, o atendimento, o cantar pra subir (desincorporação), o cantar pra fechar e o encerramento da gira. Esse ritual genuinamente umbandista foi desenvolvido pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas e é isso que define a Umbanda” explica o sacerdote.

Portanto, o ritual de Umbanda pode agregar em si diferenciações, por exemplo, algumas casas optam pela preleção (explanação do sacerdote) durante a gira, outras não. Isso é pertinente a particularidade de cada terreiro, mas a estrutura de atendimento e os fundamentos obedecerão a uma mesma ritualística que marca a essência da Umbanda.

 

O que é fundamento na Umbanda?

São o conjunto de práticas e ritos presentes em tudo o que consideramos Umbanda. Os pontos cantados são um exemplo de fundamento umbandista. Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade que é onde podemos considerar a origem da religião encontramos os pontos cantados disseminados como fundamento da casa, bem como o uso de uniforme branco e o altar com santos católicos. Nesse link você pode ouvir alguns audios que tratam do início da religião e que citam alguns de seus fundamentos pelo próprio Zélio Fernandino de Moraes.

O material de apoio de Tu, desenvolvido por Alexandre Cumino também adentra o assunto dos fundamentos umbandistas:

FUNDAMENTOS são os elementos ou conhecimentos básicos, fundamentais, que dão sustentação à religião. É o mínimo ao qual todos devem conhecer sobre sua religião. Embora pratique-se a Umbanda de mil formas diferentes existe algo nela que iguala a todos e os tornam praticantes de uma única e mesma religião, são os seus fundamentos colocados em prática. Logo, tudo o que não faz parte da Umbanda pode ser definido como aquilo que não é seu fundamento, algo em que ela, a Umbanda, não crê.”

Nessa linha de pensamento o tutor continua explicando o que não é Umbanda e as suas diferenciações com outras formas de cultos, como o Candomblé e o Espiritismo – duas vertentes fortemente confundidas com a Umbanda, até mesmo pelos adeptos da religião, mas esse assunto é aprofundamento para a aula 🙂

tu-02
Gravações Curso Teologia de Umbanda 2017
Religiões e suas variações

Pode ser que a falta de dogmas pareça estranho ao primeiro momento, mas podemos comparar “as Umbandas” (Tradicional, Iniciática, Popular, Omolokô, Branca, Esotérica, Eclética, Sagrada e etc) que são as vertentes dessa crença, ou seja modos diferentes de conceber e praticar a mesma religião, com as três principais vertentes do Cristianismo: catolicismo romano, ortodoxa oriental e o protestantismo.

Pai Alexandre Cumino cita os “catolicismos” presentes dentro do segmento católico como um dos personagens dessas variações.

Até mesmo a igreja católica que é uma religião UNA (a mesma profissão de fé e de disciplina moral, e a mesma celebração de culto e sacramentos) pode ser apresentada por catolicismos, catolicismo mariano, franciscano, beneditino, carismático dentre outros e isso acontece com todas as maiores manifestações religiosas.

Ele conclui o pensamento dizendo que esse fenômeno é algo natural as religiões e que com a Umbanda não seria diferente, por isso não existe uma Umbanda melhor do que a outra, mas sim uma diversidade que pode ser entendida em sua unidade e que a classifica como tal. “Boa parte do que é a unidade da Umbanda nós veremos na semente original plantada por Zélio de Moraes, porque ele, o Caboclo das 7 Encruzilhadas e Pai Antônio deram a estrutura do primeiro templo de Umbanda” encerra.

Em um próximo texto elencaremos todas as vertentes de Umbanda que se conhece hoje e algumas das suas particularidades.

Saravá!


Texto: Júlia Pereira

Imagem: Arquivo Umbanda EAD

Fonte de Pesquisa:

Curso Teologia de Umbanda (inscrições abertas clique aqui e assista a primeira aula)

A Umbanda e o Umbandista, Ed. Madras, Alexandre Cumino

O livro das Religiões, Ed. Globo Livros

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Cursos com inscrições abertas pelo
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2 comentários em “O que “as Umbandas” têm em comum?

  1. Olá! Parabéns pelo texto. É muito esclarecedor.
    Eu gostaria de colocar um posicionamento pessoal e um questionamento que é pouco abordado mas causa dúvida em muitas pessoas.
    Eu frequentei um templo em minha cidade natal que se intitula como Umbandaime (umbanda + Santo Daime) e lá em diversas atividades da casa os fieis tem que pagar para entrar, eles cobram a bebida do Santo Deime e queriam cobrar recentemente 50,00 para que se consultasse com uma entidade (Maria Padilha).
    Se vocês puderem me esclarecer a respeito desse assunto e qual a opinião de vocês.
    Esse templo vem crescendo muito e eles investem bastante em mídia, jornais e redes sociais.
    Eu fico preocupado com isso e gostaria da visão de vocês. Na minha opinião e o que eu sei sobre a Umbanda não existe espaço para que haja troca de favores espirituais por pagamento monetário, as doações devem ser espontâneas e voluntárias para a manutenção do templo, quando ele existe.
    Gratidão! Axé!

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    1. Matheus, a Umbanda é uma religião onde o amor é seu dogma e a caridade sua ação de amor. Acreditamos que é indevido qualquer tipo de remuneração em nome do trabalho espiritual das entidades. Siga seu coração, axé!

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