DIFERENÇAS ENTRE UMBANDA E ESPIRITISMO

1) Umbanda nasce como religião

Em sua anunciação a Umbanda já se afirma por intermédio da comunicação feita pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como uma religião, no espiritismo isso acontece de outra forma.

Allan Kardec quando questionado sobre o espiritismo ser uma religião, explica que como doutrina e filosofia que exprime ideais de fraternidade pode ser considerado uma religião, porém, ele também elucida que se o espiritismo fosse visto como uma religião, ele não mais se diferenciaria das cerimônias, hierarquias, misticismos e outros princípios que as religiões carregam consigo e que não cabem na doutrina espírita.

No livro Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita o decodificador do espiritismo dá o seu parecer sobre a manifestação ser ou não considerada religião

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem deveria enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

Portanto, em sua origem o espiritismo não preocupava-se com a criação de uma estrutura religiosa e/ou de crença, mas sim em expandir os conhecimentos sobre a ciência de observação dos fenômenos paranormais que despontavam na época, e com a definição de uma doutrina filosófica que discorria sobre as consequências morais que advinham das relações com os espíritos.

No preâmbulo do livro O que é Espiritismo Allan Kardec define a doutrina como “a ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.

Por volta de 1900 o espiritismo chega ao Brasil e com o passar dos anos irá se reforçar o ideal de que “fora da caridade não há salvação”. Mais precisamente por meio do médium Chico Xavier a doutrina é expressa e popularizada de forma contundente enquanto prática religiosa que prega ideias de amor, fraternidade e ajuda ao próximo.

Pai Alexandre Cumino aborda essa questão no curso Teologia de Umbanda e disserta dizendo que hoje em dia ainda o espiritismo continua afirmando que não é uma religião, mas quando perguntado para alguém que o segue qual é a sua crença é muito comum termos a seguinte resposta: “Eu sou espírita.”

Mais uma vez eu repito, onde o homem coloca a sua fé está sua religião. Isso fica claro no momento em que você deposita sua fé em um método, em comunidade e isso ainda possui uma doutrina e um conjunto de conhecimentos, ali está a sua religião. Então, o espiritismo se autoproclama ciência dos espíritos por conta da postura de Kardec, por Kardec ser um positivista, que não quer e não aceita religião. Mas hoje em dia, se nós perguntarmos – sociologicamente falando –  o que é o espiritismo? podemos responder que dentro da estrutura de sociedade o espiritismo é religião.

Pai Alexandre Cumino, em Teologia de Umbanda

2) Culto aos Orixás e a comunicação com espíritos

Na Umbanda presta-se culto ao panteão de orixás (divindades de origem africana) consideradas irradiações e características de Deus, que regem sobre nós sua força e axé.

Já na vivência espírita não cabe o culto à essas manifestações e nem – principalmente no espiritismo ortodoxo – a abertura a comunicação com espíritos considerados “inferiores”.

Na mesa kardecista então é comum o diálogo com espíritos ditos evoluídos e que em suas passagens na terra destacaram-se por desenvolver trabalhos considerados importantes para a sociedade, como médicos, advogados, políticos e etc.

Portanto, no espiritismo não existem linhas de trabalho (caboclo, preto-velho e etc), mas sim espíritos cujos nomes (quando descobertos) dizem revelar uma de suas existências nesse plano ou a qual “colônia” pertencem, diferente da Umbanda em que os nomes das entidades revelam sua atuação, falange, grau ou seja sua hierarquia.

3) Altar com imagens católicas

O congá repleto de manifestações católicas faz parte do processo de sincretismo que a religião incorpora e permanece até hoje. E a presença dos santos católicos dentro dos terreiros se dá não só pelo fato da Umbanda agregar imagens dessa vertente em sua fé, mas pela história de discriminação e repressão que os cultos afro sofreram no país.

Na época em que os Orixás eram considerados desencadeadores de magia negra pelos segmentos mais abastardos da sociedade a solução encontrada foi viver a fé sincretizando essas divindades aos mártires católicos aceitos pelo corpo social. Essa pratica irá se estender – posteriormente – as tradições umbandistas.

Já na doutrina espírita não ocorre o sincretismo com os elementos de outras crenças e portanto, não há a presença de imagens de origem católica, nem africana e nem de nenhum outro segmento, sendo que os itens mais comuns à sessão espírita é uma mesa coberta por uma toalha branca, o livro “Evangelho Segundo o Espiritismo” e um copo com água ao centro.

4) Uso de elementos e sinais magísticos 

O kardecismo recusa veemente o uso de qualquer tipo de magia e não aceita o efeito delas sobre nosso corpo físico e espiritual.

Na obra O livro dos Espíritos (primeiro exemplar da doutrina espírita) encontramos a seguinte passagem “Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos“.

Kardec continua afirmando seu posicionamento quanto a relação com as práticas magísticas na obra ‘O que é o espiritismo’ “O Espiritismo, longe de ressuscitar a feitiçaria, a destruiu para sempre, desponjando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, de seus livros de magia, amuletos e talismãs, reduzindo os fenômenos possíveis ao seu justo valor, sem sair das leis naturais”.

Ele continua explicando que os espíritos não podem vir à contragosto e que os que “se prestam” a manipular e trabalhar com magia são considerados inferiores e que talvez já tenham feito “essas espécies de coisas” em suas vidas anteriores.

Bom, essas afirmações não competem a prática religiosa de Umbanda, já que nela é reconhecido e legitimado o uso e os efeitos de magias ditas como brancas a fim de promover o seu sentido virtuoso, onde é usada para promover qualidade de vida e quebra de demandas.

Ou seja, a Umbanda entende que exista a ação da magia sobre a vida dos indivíduos em todas as suas formas, que são praticadas tanto para o bem como para o mal e que o papel da religião é estabelecer uma consciência pautada no bom senso para esses usos e desenvolver a prática desses meios sempre em seu aspecto benéfico.

5) Estrutura religiosa, ritualística e simbólica 

Embora as vertentes de Umbanda possam se distinguir em alguns aspectos e conceitos, sendo que, algumas delas irão adotar mais características da doutrina espírita do que outras, dentro da religião encontramos fundamentos, liturgias, ritos, organização de hierarquias, concepções e sistema de crença próprios, que não imprimem e não podem ser igualadas com o espiritismo.

Podemos citar as roupas, a função que cada pessoa possui no terreiro, o uso de atabaques, a gênese, os tipos de mediunidade, os rituais, os cultos, as oferendas, a organização física do terreiro, os passes dentre outras inúmeras fundamentações presentes – e como dito próprias – da religião de Umbanda que não originaram da prática espírita.

Como semelhanças dispomos da mediunidade, da comunicação com espíritos e do grande potencial de estudo e compreensão espiritual que a filosofia espírita possibilitou e sobre essas semelhanças nos aprofundaremos em um próximo texto.

O que vale é entender que Umbanda NÃO é espiritismo. Umbanda tem fundamento é preciso ESTUDAR!

E é sobre esses fundamentos, ritos, diferenciações, crenças, tradição, cultura e posição em relação à outras religiões que o curso Teologia de Umbanda se destina a tratar.


ATENÇÃO LEITORES hoje 10/01 após a novela das 21hrs “A Lei do Amor” (por volta 22h 30min) acontecerá a transmissão AO VIVO com Pai Rodrigo Queiroz e Alexandre Cumino da primeira aula do NOVO CURSO Teologia de Umbanda.

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Texto: Júlia Pereira

Imagem: retirada da internet (link para acesso)

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Cursos com inscrições abertas pelo
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