🎁 Presente da semana: eBook gratuito 7 Dias com os Orixás
9 de janeiro de 2017
O que mudou no curso Teologia de Umbanda 2017
11 de janeiro de 2017
Exibir tudo

5 DIFERENÇAS ENTRE UMBANDA E ESPIRITISMO

1) Umbanda nasce como religião

Em sua anunciação a Umbanda já se afirma – por intermédio da comunicação feita pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas – como uma religião. No espiritismo isso acontece de outra forma.

Allan Kardec quando questionado sobre o espiritismo ser ou não uma religião, explica que como doutrina e filosofia que exprime ideais de fraternidade pode ser considerado uma religião, porém, ele também elucida que se o espiritismo fosse visto como uma religião, ele não mais se diferenciaria das cerimônias, hierarquias, misticismos e outros princípios que as religiões carregam consigo e que não cabem na doutrina espírita.

No livro Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita o decodificador do espiritismo dá o seu parecer sobre a manifestação ser ou não considerada religião.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem deveria enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

Portanto, em sua origem o espiritismo não preocupava-se com a criação de uma estrutura religiosa e/ou de crença, mas sim em expandir os conhecimentos sobre a ciência de observação dos fenômenos paranormais que despontavam na época, e definir uma doutrina filosófica que discorria sobre as consequências morais que advinham das relações com os espíritos.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA JORNADA 2018 CLIQUE AQUI

No preâmbulo do livro O que é Espiritismo, Allan Kardec define a doutrina como “a ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.

No Brasil o espiritismo chega por volta de 1850/60 e com o virar do século irá reforçar o ideal de que “fora da caridade não há salvação”. Por meio do médium Chico Xavier (1930) a doutrina será expressa e popularizada de forma contundente enquanto prática religiosa que prega ideais de amor, fraternidade e ajuda ao próximo.

Pai Alexandre Cumino aborda essa questão no estudo Teologia de Umbanda – Jornada e disserta dizendo que hoje, o espiritismo ainda continua afirmando que não é uma religião, mas quando perguntado para alguém que o segue qual é a sua crença, é muito comum termos a seguinte resposta: “eu sou espírita.”

Mais uma vez eu repito, onde o homem coloca a sua fé está sua religião. Isso fica claro no momento em que você deposita sua fé em um método, em comunidade e isso ainda possui uma doutrina e um conjunto de conhecimentos, ali está a sua religião. Então, o espiritismo se autoproclama ciência dos espíritos por conta da postura de Kardec, por Kardec ser um positivista, que não quer e não aceita religião. Mas hoje em dia, se nós perguntarmos – sociologicamente falando –  o que é o espiritismo? podemos responder que dentro da estrutura de sociedade o espiritismo é religião.

Pai Alexandre Cumino, em Teologia de Umbanda – Jornada

2) Culto aos Orixás e a comunicação com espíritos

Na Umbanda presta-se culto ao panteão de Orixás (divindades de origem africana) consideradas irradiações e características de Deus, que regem sobre nós sua força e Axé.

Já na vivência espírita não cabe o culto à essas manifestações e nem – principalmente no espiritismo ortodoxo – a abertura a comunicação com espíritos considerados “inferiores”.

Na reunião espírita é comum o diálogo com espíritos ditos evoluídos e que em suas passagens na terra destacaram-se por desenvolver trabalhos considerados importantes para a sociedade, como médicos, advogados, políticos e etc.

Portanto, na sessão espírita não realiza-se (ou pelo menos não é o comum) trabalho com as linhas de Caboclo, Preto-Velho e demais manifestações espirituais presentes no ambiente de Umbanda. Os espíritos manifestados nos centros espírita, quando revelam seus nomes falam sobre suas existências nesse plano ou a qual “colônia” pertencem, diferente da Umbanda em que os nomes das entidades revelam sua atuação, falange, grau… sua hierarquia.

 INSCRIÇÕES ABERTAS PARA JORNADA 2018 CLIQUE AQUI
3) Altar com imagens católicas

O congá (altar na Umbanda) repleto de manifestações católicas faz parte do processo de sincretismo que a religião incorpora e permanece até hoje. A presença dos santos católicos dentro dos terreiros se dá não só pelo fato da Umbanda agregar imagens dessa vertente em sua fé, mas também pela história de discriminação e repressão que os cultos afro sofreram no país.

Na época em que os Orixás eram considerados desencadeadores de magia negra pelos segmentos mais abastardos da sociedade a solução encontrada foi viver a fé sincronizando essas divindades aos mártires católicos aceitos pelo corpo social. Essa prática irá se estender – posteriormente – as tradições umbandistas.

Já na doutrina espírita não ocorre o sincretismo desta forma, sendo assim, não há a presença de imagens de origem católica, nem africana e nem de nenhum outro segmento. Os itens mais comuns à sessão espírita é uma mesa coberta por uma toalha branca, o livro “Evangelho Segundo o Espiritismo” e um copo com água ao centro.

Isso não quer dizer que o espiritismo não tenha sido influenciado por outras crenças, o próprio Evangelho Segundo o Espiritismo, propõe a ressignificação de um texto já existente. Podemos dizer que Kardec sincretizou a bíblia com a sua filosofia científica sobre a existência dos espíritos.

 INSCRIÇÕES ABERTAS PARA JORNADA 2018 CLIQUE AQUI
4) Uso de elementos e sinais magísticos 

O espiritismo recusa veemente o uso de qualquer tipo de magia e não aceita o efeito delas sobre nosso corpo físico e espiritual.

Na obra O livro dos Espíritos (primeiro exemplar da doutrina espírita) encontramos a seguinte passagem “Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos“.

Kardec continua afirmando seu posicionamento quanto a relação com as práticas magísticas na obra ‘O que é o espiritismo’ “O Espiritismo, longe de ressuscitar a feitiçaria, a destruiu para sempre, desponjando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, de seus livros de magia, amuletos e talismãs, reduzindo os fenômenos possíveis ao seu justo valor, sem sair das leis naturais”.

Ele continua explicando que os espíritos não podem vir à contragosto e que os que “se prestam” a manipular e trabalhar com magia são considerados inferiores e que talvez já tenham feito “essas espécies de coisas” em suas vidas anteriores.

Bom, essas afirmações não competem a prática religiosa de Umbanda, já que nela é reconhecido e legitimado o uso e os efeitos de magias como parte da sua ritualística e relacionamento com as divindades e guias, e também como eventual proteção contra magias negativas.

Ou seja, a Umbanda entende que exista a ação da magia sobre a vida dos indivíduos em todas as suas formas, que são praticadas tanto para o bem, como para o mal e que o papel da religião é estabelecer uma consciência pautada no bom senso para esses usos e desenvolver a prática desses meios sempre em seu aspecto benéfico, ressaltando que os guias que se manifestam no ambiente da Umbanda, não se prestam a nenhuma prática negativa, nem de amarração e nem de pedido fútil.

 INSCRIÇÕES ABERTAS PARA JORNADA 2018 CLIQUE AQUI
5) Estrutura religiosa, ritualística e simbólica 

Ainda que as vertentes de Umbanda possam se distinguir em alguns aspectos e conceitos, onde algumas terão mais características da doutrina espírita do que outras, na Umbanda encontramos fundamentos, liturgias, ritos, organização de hierarquias, concepções e sistema de crença próprios, que não exprimem e não podem ser igualadas com o espiritismo.

Podemos citar as roupas, a função que cada pessoa possui no terreiro, o uso de atabaques, a gênese, os tipos de mediunidade, os rituais, os cultos, as oferendas, a organização física do terreiro, os passes dentre outras inúmeras fundamentações presentes – e como dito próprias – da religião de Umbanda que não originaram da prática espírita.

Como semelhanças dispomos da mediunidade, da comunicação com espíritos e do grande potencial de estudo e compreensão espiritual que a filosofia espírita possibilitou e sobre essas semelhanças nos aprofundaremos em um próximo texto.

O que vale é entender que Umbanda NÃO é espiritismo. Umbanda tem fundamento e doutrina própria.

E é sobre esses fundamentos, ritos, diferenciações, crenças, tradição, cultura e posição em relação à outras crenças que o conjunto de estudos contemplados em Teologia de Umbanda – Jornada se destina a tratar.


 

A Turma XVIII de Teologia de Umbanda – A Jornada, está com inscrições abertas para matrículas. O estudo inicia no dia 18/01 CLIQUE AQUI e confira o cronograma de aulas e as formas de ingressar.

 

Texto:

Júlia Pereira

Imagem:

retirada da internet (link para acesso)

Estudos com inscrições abertas pelo
umbandaead.com.br
e-mail:
[email protected]
[email protected]
Tel (14) 3010-7777
obs: os links desse texto estão sujeitos a alteração em razão da disponibilidade do estudo e/ou produto
Pedimos para que os irmãos que desejem compartillhar os textos desse blog creditem a fonte lincando para o nosso endereço.
Informação da fonte!

11 Comentários

  1. Marcelo Navajas disse:

    Gostei muito do texto.

  2. ALEXANDRE CARUZO FÉLIX MAGALHÃES disse:

    como a umbanda vê ou entende à bíblia?

  3. Fabricio disse:

    excelente aprendizado, parabéns pelo texto. Religião que sustenta para encontrar força para enfrentar as dificuldades do cotidiano e da vida.

  4. Carlos Eduardo Toledo Gongora disse:

    Sou de origem espírita, estudioso das religiões e filosofias espiritualistas e preciso discordar do texto. Como todo respeito. O que as pessoas não sabe discernir e fazem esse tipo de separação que segrega é que a Doutrina Espírita não é o movimento espírita brasileiro. O movimento se apresenta no Brasil como uma religião, coisa que a Doutrina não é e foi colocado aqui uma parte disso. Em sua função original, a Doutrina Espírita abarca todos os movimentos, inclusive a Umbanda pois que dela faz objeto de estudo e aprendizado constante, podendo, inclusive, oferecer melhorias em sua estrutura prática pois não fica travada pela religião. Aliás, é a religião que promove essa separação que foi colocada aqui no texto da amiga. Os religiosos têm essa necessidade de ficar separando as coisas.

    Falta mais Kardec no estudo de muita gente e menos endeusamento de entidades para que se questione mais.

    Os espírito dizem que símbolos e artefatos não têm poder e estão corretos, pois o que eles fazem é ajudar a mente das inteligências a produzir determinados efeitos e são as mentes que agregam podem ao objetos, ficando eles, daí por diante, capacitados e produzir efeitos.

    Vamos juntar as asas e voar, ao invés de ficar podando todas as penas e morrer no meio da jornada.

    • Umbanda EAD disse:

      Irmão, acolho suas indagações e ressalto que no texto falamos sobre o Espiritismo no que tange sua história iniciada por Kardec e mais tarde popularizada aqui no Brasil por Chico Xavier. Destaco esse trecho >> “No Brasil o espiritismo chega por volta de 1850/60 e com o virar do século irá reforçar o ideal de que “fora da caridade não há salvação”. Por meio do médium Chico Xavier (1930) a doutrina será expressa e popularizada de forma contundente enquanto prática religiosa que prega ideais de amor, fraternidade e ajuda ao próximo.” Desta forma, nós sabemos sim, que o espiritismo chega no Brasil com uma configuração e passa por diferentes influências e momentos na história, até que se configure como uma religião e isso foi descrito no artigo.
      Quanto ao ponto em que você coloca que a “religião que promove a separação” eu respondo que, não é o objetivo desse texto dizer que nós não podemos construir juntos e acho que ficou claro que a intenção aqui é: informar que nós não correspondemos ao mesmo conjunto de crenças e ritos, e que por mais que partilhemos de algumas convicções, um não é o outro. Por fim, os religiosos não tem a necessidade de separar as coisas Carlos, o que acontece é que como você mesmo sugere em seu comentário, nós estamos na busca de um entendimento racional, consciencial e que “questione mais”. Ter nossas entidades como Mestres, não nos castra de estudar, acontece que não é só a literatura espírita que nos norteia, tão pouco sustenta nossa base. Juntaremos as asas quando entendermos que cada uma dessas religiões tem seu olhar para uma mesma questão, sendo a criação e todas as coisas, um espectro para diversas observâncias. Gratidão pelo compartilhamento. Axé!

  5. Roberto Dantas de Carvalho disse:

    Ótima explicação. Respeito muito a Umbanda, sou Espírita e sua interpretação é corretíssima. Somos todos Irmãos Unidos em Um Só Pai.
    Independente de qualquer crença. O que difere são as maneiras de Expressar essa Fé.
    Muita Paz.

  6. Baluz Joel disse:

    Perfeito texto! Sou espírita, sigo a Doutrina dos Espírito codificado por Kardec, e por questões de estudo hoje resolvi pesquisar sobre a associação que as pessoas que desconhecem tanto a Doutrina Espírita quanto a Umbanda fazem de maneira equivocada. O texto resolve muitas questões.

    Não quero acrescentar, porém é certo dizer que o Espiritismo de fato não é uma religião, não de forma objetiva! Porém poderia usar a seguinte definição: Espiritismo é uma ciência, filosofia com CONSEQUÊNCIAS RELIGIOSAS. Que é o rumo que o Espiritismo toma ao chegar no Brasil, sobretudo noto o quanto a Federação insiste neste ponto de religião, o qual eu discordo, pela essência que Kardec trouxe, mas admito que leva a essa consequência.

  7. Ana disse:

    Umabanda EaD –Estou impactada com a leveza da sua carinhosa e atenciosa resposta ao irmão espírita. Já fui da doutrina espírita e simpatizante da umbanda e hoje já batizada nas águas confesso q suas doces palavras independente de idolatrar a imagem ali no congá ou crer no poder e na magia dos orixás, le, o Alcorão, a Bíblia ,eu creio que Jesus qd esteve entre nós segundo as escrituras, foi o homem rebelde no sentido de quebrar paradigmas, pois ele se misturava com e prostitutas na época e outros demais adendos q acredito q muitos já ouviram falar. Portanto, não duvido se fosse nos dias de hoje, Ele visitaria todas as doutrinas, crenças religiosas e deixaria o Seu recado de amor como assim sempre o fez ao longo dos seus 33 anos de vida.

  8. Eu já fui há mais de 20 centros de umbanda e não fico,meus Santos não me deixam,apesar de ser aplicada tendo doutrina,resolvi largar tudo pois não me sentia feliz,e possível que eles mesmos não queiram mais?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.