Sou educador e quero aplicar o ensino da cultura afro-brasileira na escola, posso?

Não só pode, como é Lei! 

A Lei 10639, 9 de Janeiro de 2003, determina que em todos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, tornam-se obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, sendo que dentro do currículo escolar deverá estar previsto disciplinas que abarquem a luta dos negros no Brasil, bem como sua cultura e contribuição na formação da sociedade nacional, distribuídas nas áreas social, econômica e política da História do Brasil.

Resistência 

A Lei está disposta e prevista em constituição, mas sua implementação nas escolas ainda sofre resistência por parte das instituições de ensino. O site A Cor da Cultura (projeto educativo de valorização da cultura afro-brasileira, fruto de uma parceria entre o Canal Futura, a Petrobras, o Cidan, TV Globo e a Seppir), divulgou um artigo que conta a experiência do educador Joilton Lemos, que após publicar em rede social seu desabafo sobre uma situação vivida no ambiente escolar trouxe a público a questão do cumprimento da Lei 10639, tal como, a falsa ideia de democracia racial propagada pelos meios.

Segundo o site, o relato do professor conta que cartazes com desenhos de divindades da mitologia de matriz africana, produzidos por estudantes de sua disciplina, foram privados de exposição com a justificativa da diretoria de amenizar problemas com os pais evangélicos. “Hoje sofri uma das maiores decepções de minha vida. Além de lutar contra o preconceito e o racismo fora da escola, tenho também que ter força para enfrentar o que há dentro da instituição que deveria, antes de tudo, respeitar a diversidade cultural existente em nosso país. E tem mais: a escola já está toda enfeitada para o Natal (nada contra!), Jesus já está na manjedoura, junto com seus pais… E os Orixás… presos dentro do armário. Será mesmo que a escravidão já acabou?”questionou Lemos.

Como posso articular dentro da minha escola?

Posto a escassez de iniciativas e também a resistência em desenvolver programas de exposição que articulem para fazer valer a lei dentro das salas de aula, o Blog Umbanda EAD pesquisou sobre pessoas e organizações que desenvolvem trabalhos nesse campo e militam para a inclusão do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira dentro dos ambientes escolares.

1) História da África – Unesco

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No que se refere à educação, o diagnóstico realizado em novembro de 2007, a partir de uma parceria entre a UNESCO do Brasil e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/ MEC), constatou que existia um amplo consenso entre os diferentes participantes, que concordavam, que a Lei 10.639-2003, desempenhava um baixo grau de institucionalização e aplicação no território nacional. Os fatores assinalados para a explicação da pouca institucionalização da lei estava a falta de materiais de referência e didáticos voltados à História de África.

Por isso, a História Geral da África publicada pela UNESCO é uma obra coletiva cujo objetivo é a melhor compreensão das sociedades e culturas africanas e demonstrar a importância das contribuições da África para a história do mundo. Ela nasceu da demanda feita à UNESCO pelas novas nações africanas recém-independentes, que viam a importância de contar com uma história da África que oferecesse uma visão abrangente e completa do continente, para além das leituras e compreensões convencionais e eurocêntricas.

Link de acesso >> dominiopublico.gov.br

Link de acesso >> unesco.org


2) Coleção Okú Lái Lái – Carolina Cunha

Os guias de leitura para professores da autora e ilustradora baiana Carolina Cunha, trazem as mitologias das divindades africanas para um contexto social de construção histórica do país. A coleção Okú Lái Lái  “histórias de tempos muito, muito antigos” é uma cartilha que traz o conteúdo histórico de cada prática religiosa e cultural interagindo com o ambiente lúdico da contação de histórias. O guia serve de complementação para também obras da autora.

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Link de acesso >> clique aqui


3) Òrun Àiyé

A animação produzida em stop motion (sequência de fotos) levou mais de ano para ser produzida e conta a mitologia narrada pelo “vovô Bira” de como os deuses africanos Olodumaré, Orunmilá, Oduduwa, Oxalá, Nanã e Exú interagiram na descoberta dos mistérios do universo. Segundo o site Por Dentro África o maior desejo das diretoras é fazer o filme chegar até as escolas “estamos realizando oficinas de animação em stop motion em 8 terreiros e trabalhando para que o Òrun Àiyé vire uma série e estimule essa troca entre pessoas”.

Assista o trailer da produção:

Link de acesso >> orunfilme.com.br


4) Cordéis 

Os cordéis de Jarrid Arraes podem ser usados tanto para o ensino fundamental como para o médio, e as histórias tratam desde as heroínas negras que viveram no Brasil até as lendas originarias da Á
frica. A literatura de cordel é produzida normalmente em forma de rima, contendo ou não ilustrações que são dispostos em forma de folheto.

Link de acesso >> jarridarraes.com

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5) O Mundo Encantado dos Orixás 

O livro de colorir traz a representação dos elementos, expressões e a simbologia da mitologia dos orixás. Às crianças que já sabem ler e escrever o livro box com informações sobre as divindades e atividades relacionando o nome dos orixás aos seus elementos.

Link de acesso >> clique aqui

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Esperamos que esses exemplos iluminem as ideias e auxiliem quem deseja trabalhar as questões citadas em sala de aula. Saravá a todos os professores que se dedicam a educação e ao especialmente a reafirmação da cultura afro-brasileira! Alguns desses materiais se encontram disponíveis para download gratuito na internet, e outros para adquirir. As fontes de pesquisa do texto seguem os links dispostos nos tópicos. O filme citado ainda está em sua pré-estreia (conteúdo saindo do forno!), atualizaremos a matéria assim que recebermos mais informações sobre a sua divulgação.

Texto: Júlia Pereira

Imagem: Òrun Àiyé

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Cursos com inscrições abertas pelo
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obs: os links desse texto estão sujeitos a alteração em razão da disponibilidade do curso e/ou produto

1 comentário

  1. Como educadora gostaria de ahrasecer por esta pesquisa que fizeram que nos auxilia muito na prática pedagógica sobre um assunto ainda com poucos recursos disponíveis e tanto preconceito pela sociedade! Obrigada.

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