O empoderamento feminino na figura de Pombagira

Para quem desconhece sobre esse tema, a palavra Pombagira, pode trazer estranhamento e um conceito pré concebido de algo ruim, beirando a promiscuidade.

Um dos motivos dessa associação negativa está na vasta propagação que algumas instituições religiosas insistem em sedimentar a ela. À Pombagira reservou-se uma imagem pejorativa, ligada a sexualidade desenfreada, libertinagem e trabalhos negativos, como amarrações de amor.

Mas, quem é Pombagira?

A popularização da entidade acontece em meados dos anos 60 quando a mais forte representação do empoderamento feminino, toma forma dentro da Umbanda e de centros espiritualistas – principalmente os de matriz africana – revelando-se então,  a linha das guardiãs. Nesse momento surge a figura das Pombagiras que de início incorporavam predominantemente em mulheres e mais tarde começaram a se manifestar também em homens.

As sessões ou giras dessas entidades eram feitas de maneira restrita, a fim de não atingir a concepção de “moral e bons costumes” da sociedade da época.

Pedidos de ajuda em relacionamentos

As “moças” acabam se tornando especialistas em resolver questões ligadas a problemas amorosos e isso aconteceu devido a maior liberdade que dispunham ao tratar desses aspectos; evitando hipocrisia e “tocando na ferida”.

Rubens Saraceni argumenta isso no livro Orixá PombaGira, “assim Pombagira tornou-se a ouvinte e conselheira de muitas pessoas com problemas nos seus relacionamentos amorosos, procurando atender à maioria das solicitações, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível a todas as classes sociais“.

Ele também continua dizendo que as “mulheres da rua” atuam esgotando o íntimo de pessoas que estejam em desequilíbrio emocional ou conscienciais, obedecendo a uma de suas funções na criação.

Por que PombaGira é fortemente associada a prostituta?

Pai Rodrigo Queiroz, pontua sobre essa questão em texto psicografado (indicamos a leitura): Linha e Arquétipo das Guardiãs Pombagiras. A seguir colocamos um trecho do diálogo >>

– É certo que existem algumas Pombagiras que foram prostitutas e marginais?

– Sim é certo, como também existem Exus que foram a pior espécie de homens, porém, isto é um caso à parte. O que fomos pouco importa, pois no geral, como todos os encarnados, somos espíritos humanos que sofreram sua queda e já lúcidos retomamos nosso caminho de evolução, assumindo um grau e campo de atuação sob regência dos Orixás e guardando à esquerda dos encarnados.

Não há uma receita para saber quem realmente foi Maria Padilha, Mulambo, Sete Saias ou qualquer que seja sua designação, mas o que entendemos é que seu arquétipo e o que ela representa tem muito a nos ensinar.

Alexandre Cumino aborda essa questão no curso Pomba Gira e Exu Mirim “então tem muita coisa por trás disso, do que apenas um espírito humano trabalhando. É isso que nos interessa abordar nesse curso, o reconhecimento de que somos humanos e que erramos. Lidar com espíritos que nos chegam assumindo os próprios erros, se mostrando como são e trazendo verdades e conceitos bem próximos da nossa realidade material, fascina, encanta, assusta? Sim, mas há uma outra questão importante: os tornam muito próximos de nós no dia a dia.” argumenta.

We Can do It!

Pombagira vem para ensinar a mulher que sua força não deve ser ridicularizada, minimizada e muito menos vulgarizada. Ela é o encanto e a sensualidade natural da mulher, a essência do feminino. Foge dos padrões que impõe a sociedade e do papel que é reservado a mulher, o de mãe, dona de casa e submissa.

Vale ressaltar que ser mãe e dona de casa não é sinônimo de submissão, na verdade a maioria delas são grandes mulheres que carregam sozinhas essas responsabilidades, no entanto o que destacamos é imposição de funções e modos de ser que acomete mulheres em todos os nichos sociais.

Pombagira tem voz, é um corpo (arquétipo) político e uma alma cheia de arte, intelecto e religiosidade. Rubens Saraceni faz uma importante consideração no livro Orixá PombaGira, “é claro que uma mulher altiva, senhora de si, segura, competentíssima no seu campo de atuação.. impressiona positivamente alguns e assusta outros.”

Ela vem para por em cheque os privilégios da sociedade patriarcal, assiste de perto a revolução feminista e traz significados e interpretações em todas as suas formas de se apresentar. Pai Alexandre Cumino também fala sobre esse aspecto no curso supracitado muitas, muitas e muitas mulheres sentiram na pele a dor de uma sociedade sufocando a sua voz, podando a sua liberdade e tornando-a presa a valores, muitas vezes hipócritas. Essa mulher encontrou em Pombagira uma força, uma dignidade para caminhar de cabeça erguida, força para vencer, para lutar; por isso Pomba-Gira assusta. Assim como mulheres independentes, mulheres que não tem medo, que assumiram as suas verdades perante essas questões assustam aqueles que ainda são machistas e hipócritas. Se assustam então, com uma mulher que caminha de cabeça erguida

Salve nossas Guardiãs! Salve as Moças!! Laroiê Pombagiras!! 

No mês de março, em comemoração ao dia internacional da mulher a plataforma abre inscrições para o curso que trata exatamente da questão do sagrado feminino na figura de pombagira. Acesse o link >> https://umbandaead.com.br/pombagira << e saiba mais.

 

 

Texto: Júlia Pereira

Fontes de Pesquisa:

Livro Orixá PombaGira, Rubens Saraceni

Curso Pombagira e Exu Mirim, plataforma Umbanda EAD

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Cursos com inscrições abertas pelo
http://www.umbandaead.com.br
e-mail:
contato@umbandaead.com.br
blog@umbandaead.com.br
Tel (14) 3010-7777
obs: os links desse texto estão sujeitos a alteração em razão da disponibilidade do curso e/ou produto

3 comentários em “O empoderamento feminino na figura de Pombagira

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