Menino danado e de gorro na cabeça. Ao invés de passos ..pulos e redemoinhos

Ele é brasileiro e comemora hoje 13 anos desde que a Lei 2762/2003 instituiu a data que lhe rende homenagem. Quem nunca teve o leite da vó talhado por um Saci?

Hoje é dia de lembrarmos dos causos contados pelos “povos antigos” que é como chamam os mais velhos que trazem consigo boa parte da narrativa folclórica do país. Para quem mora ou veio do interior esse costume não é nada estranho. O folclore é a marca genuína da cultura brasileira. Em sua essência narra histórias de “vivências” do povo que reside nos fundões do país.

E nesse sentido o interior brasileiro é pioneiro em contação de causos, na maioria das vezes eles contém mensagens e  sabedorias populares, ou até mesmo surgem para explicar alguma situação em que não se havia conhecimento científico.

Nos fundilhos de fazendas, sítios e recantos brasileiros existe lá um menino de uma perna só, sapeca, risonho e que carrega consigo um cachimbo e um gorro mágico. Atribui-se ao Saci Pererê várias estripulias, como, embromar a crina do cavalo, azedar o doce e esconder ferramentas.

O Saci nasceu de tribos indígenas no sul do país, nesta primeira figura ele tinha um rabo de cavalo e se assemelhava a um curumim. Com as influências africanas no país ele se transformou em um menino de cor negra que perdeu uma de suas pernas lutando capoeira. Tanto é que, o orixá Ossain em algumas de suas representações é ilustrado com uma perna só.

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Os criadores de saci como o presidente da Associação dos Criadores de Saci (sim, isso existe!), José Oswaldo Guimarães que com o surgimento das novas tecnologias, o hábito de se contar história foi desaparecendo e isso colaborou para o sumiço dessas figuras. Ele também atribui a energia elétrica como causador do desaparecimento de parte dos sacis, já que estes não são adeptos da claridade.

A Associação situada em Botucatu (terra do saci), interior de SP incentiva a contação de história a fim de fazer o resgate cultural dessas práticas e também de manter o Saci vivo! Guimarães também relata em entrevista feita pela Revista IstoÉ, que os sacis nascem de brotos de bambu e depois de morrer transformam-se em orelhas de pau (tipo de cogumelo).

Para tanto, ele também afirma que os sacis não são seres humanos, mas sim primatas muito parecidos com o homem. Gozam de pele escura, um metro e meio de altura e penugem cor de fogo no topo da cabeça. O cachimbo é um pedaço de bambu, que mastigam constantemente.

José Oswaldo Guimarães é conhecido como o criador de Sacis, e a alguns anos atrás afirma ter trazido para o sítio de um amigo, um casal de Sacis para criá-los na cidade interiorana.

Viva o folclore brasileiro! Viva o Saci Pererê!

Texto: Júlia Pereira 

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