Por que a beleza é algo tão valorizado dentro do Candomblé?

O que vai ser difundido nesse texto é inspirado na defesa de doutorado Axós e Ilequês, Rito, Mito e a estética do Candomblé, da Profa e Ekedi Patricia Globo. Vamos abordar então um pouco do que foi pontuado dentro do trabalho.

A pesquisa traz um entendimento sobre os elementos visuais e estéticos presentes no Candomblé. Tanto nos trajes, como na decoração a religião traz consigo uma identidade muito forte que ultrapassa os limites de espaço dos terreiros. Um exemplo disso são as baianas do acarajé que fazem o uso dos ilequês (colares) e das roupas presentes na religião. Essas mulheres, garantem o sustento da casa através da caracterização e venda da comida de santo, mas nem sempre elas são realmente baianas ou seguem o Candomblé.

Já dentro do Ilê, os adereços que são essenciais a ritualística também são sagrados e possuem uma gama de sentidos, que levam em conta desde o momento correto do uso até a cor e modelos.

Os Axós-orixá por exemplo são as roupas de santo que só podem ser usadas pelos iniciados e quando estes se encontrarem em transe ou como os adeptos falam “virados” no Orixá. As roupas do Candomblé se dividem começando pelas de uso próprio do iniciado até as dos Orixás.

A confecção dos Axós demanda de muito empenho para produção e cuidados especiais, tal como vesti-las na pessoa no momento em que ela estará em transe. O custo para produzir essas roupas na maioria das vezes é alto, e com isso é normal ver pessoas do terreiro se organizando para arrecadar subsídios a fim de confeccioná-las.

Todo esse esforço é para agradar aos Orixás, e eles se alegram com tudo o que é bonito, nessa confissão é com beleza que se louva aos Orixás. Por isso, no Candomblé força, poder e axé casam-se com a beleza.

Beleza essa, que está presente em cada linha do bordado das roupas, em cada acessório, em cada elemento que compõe a estrutura do Ilê, na comida e em tudo o que se relaciona com essa fé. Para se ter poder é preciso estar Odara. Odara na língua Iorubá é o bom e bonito em uma mesma conjunção.

No trabalho de Patricia é apresentado as diversas explicações sobre o tema, uma delas é a separação do que é profano do sagrado. Muitos desses apontamentos estarão presentes no curso da plataforma Umbanda EAD, Candomblé – Religião, Cultura e Tradição. Para saber mais sobre o que irá ser abordado nas aulas e conhecer a nova tutora CLIQUE AQUI.

Texto: Júlia Pereira

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