Dos tambores da macumba ao samba

O samba é um gênero musical que se consolidou no Brasil, portanto, é brasileiro de berço. Sofreu influências de muitas culturas em seu entorno, e a mais evidente é a africana (considerando todos os povos africanos que foram trazidos no processo de escravidão). Tanto é que foram os escravos que disseminaram as variantes do ritmo que mais tarde tomaria forma, se consagrando como o samba.

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Como o samba exprime a religiosidade brasileira?

O legado que o samba transitou até se configurar na cena musical hoje é de muita luta, resistência e hibridações assim como tudo que advém da cultura negra.

O samba como herança dessa cultura presente em todo o país, exprime o potencial da religiosidade que esse povo congrega e isso é evidenciado em diversos aspectos. Em estudo publicado pela Revista Brasileira de Estudos da Canção, foi pontuado sobre isso, “seriam as demais rodas e festejos negros também elementos de culto? Para uma comunidade onde o sentido religioso está em torno da energia que toma homens e seres inanimados em regozijo, as festas e rodas, com ou sem a comunhão sagrada entre os deuses e seus filhos, transformam-se em engrenagens de troca de axé, verdadeiros momentos de solidariedade e união dos corpos, espíritos e sorrisos.”

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No trabalho o autor também destaca as diferenças entre o que é classificado como profano e sagrado. Desde os primórdios até o que se constitui a musicalidade afro-brasileira hoje, muitas vertentes religiosas  influenciaram o ritmo que se tornou o símbolo nacional.

Dentro disso a religiosidade é afirmada também nas letras de músicas embaladas por esse gênero, nos enredos das escolas de samba e nos instrumentos musicais encontrados tanto nos terreiros como nas rodas de samba até hoje.

Como dito, uma das manifestações da musicalidade africana que culminou no samba presentes na religião, é a presença de instrumentos em comum. Na Umbanda e no Candomblé o atabaque caracteriza esse vínculo. Nestes locais, eles são sagrados e o Ogã é o membro da casa encarregado de conduzir a gira ao ritmo dos atabaques. Clique aqui e conheça o curso Curimba e Canto, ministrado pelo Ogã Severino Sena na plataforma de ensino à distância Umbanda EAD.

O seu papel é tão importante dentro do terreiro que na hierarquia eles sucedem a Mãe ou Pai da casa. Mesmo não entrando em transe espiritual sua conexão se dá pela música que embala as ações do médium incorporado. Confira a aula aberta do curso Curimba e Canto clicando no link a seguir >> O Ogã na Umbanda.

 

Fonte de pesquisa: Entre Atabaques, Sambas e Orixás. Autoria: Anderson Leon Almeida de Araújo e Leila Dupret. Disponível em: http://www.rbec.ect.ufrn.br

Texto: Júlia Pereira

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