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CARNAVAL RIO 2024: SAMBA-ENREDO E AS REFERÊNCIAS À CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA

CARNAVAL RIO 2024

Conheça os samba-enredos de 2024 do carnaval no Rio de Janeiro e a referências à cultura afro-brasileira e indígena

Hoje em nosso Blog traremos uma lista dos enredos que usam elementos da cultura afro-brasileira e indígena na apresentação dos desfiles de carnaval das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Mas antes precisamos entender como surgiu o samba, que é ícone nacional do país.

Para mergulharmos neste assunto, vamos começar a nossa conversa sobre a palavra “samba” que é de origem africana e por muito tempo foi usada como sinônimo de festa e não necessariamente a um gênero musical. Contudo, com a utilização de alguns elementos como atabaque, macumba, canto e dança o samba se tornou um ritmo musical. 

A palavra macumba tem diversos significados, podendo ser associada a religiões, contudo, neste contexto, ela é um instrumento musical de percussão que faz parte do samba e tem sua origem africana.

O samba como gênero musical

Já o gênero musical, que conhecemos atualmente, junto com a dança surgiu com o ritmo lundu e esse gênero era composto por atabaques, expressões corporais sensuais, inspirado em rodas de capoeira, e na umbigada (conhecida como semba na Angola). 

Contudo, como nosso país é marcado por sua miscigenação, o samba não surge apenas da umbigada ou lundu, mas sim da junção de diversas manifestações rítmicas.

O samba de roda, que tinha como característica um ritmo mais lento, e que com o passar do tempo foi se tornando mais agitado, chegou ao Rio de Janeiro no século XX, mas o preconceito tomou conta e as celebrações precisaram ser em espaços privados, que as mulheres negras, conhecidas como “tias” baianas, disponibilizavam, e essas mulheres recebem uma homenagem até hoje, com a ala das baianas nos desfiles das escolas.

Nos locais, que hoje sabemos que são terreiros, as pessoas tinham a liberdade de manifestar sua cultura e realizar suas práticas religiosas, principalmente os cultos aos Orixás. E com isso, podemos entender que os terreiros foram os locais que permitiram o nascimento do samba no Brasil.   

O samba se popularizou e tomou conta das comunidades do Rio de Janeiro e surgiu o partido alto, conhecido por criar versos espontâneos e relatar situações do cotidiano. 

Com a influência do governo federal da época e com a difusão da rádio, o samba se tornou símbolo nacional e a fim de agitar as comemorações, surgiu então o samba-enredo, no qual sua principal característica era trazer referências do Brasil. 

Para saber mais sobre a história do samba no Brasil, leia: Da Capoeira ao Samba-Rap: a origem afro do samba

Você conhece o primeiro samba?

Alguns historiadores consideram o primeiro samba a música: “Pelo telefone”. A canção é fruto de encontros de sambistas como Donga, Mauro de Almeida e Sinhô, criado em 1917 e lançada como um samba carnavalesco. Porém, há pessoas que dizem que existem outras músicas que surgiram antes, contudo não tem registros. 

Quer ouvir a canção Pelo telefone? Clique aqui!

O CARNAVAL É UMA FESTA PRETA

O carnaval é uma festa preta que há anos a sociedade vem querendo embranquecer!

Conforme uma entrevista Ao mundo negro, a diretora da página ‘Samba Abstrato’ conta da onde surgiu o carnaval: “Se a gente voltar lá pro Egito, pro Kemet (nações africanas, ao redor do Rio Nilo), os pretos já faziam uma festa anual pra celebrar as cheias do rio Nilo, pra Deusa Ísis, para celebrar a fartura, a natureza. Eles enfeitavam os barcos e criavam canções. A sabedoria de fazer essa festa, ela já é nossa há milênios e já foi embranquecida, quando na Roma Antiga, os europeus, passaram a praticar essas festas como festas pagãs. Muitas pessoas vão dizer que o Carnaval é de origem europeia, quando na verdade ele é de origem africana”, explicam.

Ainda na entrevista, um membro da Samba Abstrato comenta que conforme o poder aquisitivo das escolas foram aumentando, o número de pessoas brancas também cresceu e que isso não é um problema, “porque as culturas pretas são culturas de aproximação e de coparticipação mas a gente sabe que a branquitude não sabem participar, eles tomam pra eles”. – e isso vem desde a época do governo Vargas, que explorou uma forma de construir uma imagem nacional com o ritmo musical, mas o projeto possuía elementos racistas, pois tentavam esconder a origem (que é africana) do samba

Assim sendo, podemos entender que o carnaval é de origem africana. E no Brasil, por conta da “mistura” de várias culturas, a celebração ocorre com influência e referência a vários povos, mas principalmente os africanos e os povos originários.

Clique aqui e leia a entrevista completa.

SAMBA-ENREDO – GRUPO ESPECIAL RIO DE JANEIRO 2024

Agora que já sabemos sobre a origem do samba e que o carnaval é uma festa preta, vamos  ver o que as escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro irão trazer da cultura africana e indígena no carnaval deste ano? 

* A apresentação dos samba-enredos é conforme o dia e ordem do desfile.

Desfiles: 

11 e 12 de Fevereiro

Unidos do Porto da Pedra:

Enredo: “Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”

Unidos do Porto da Pedra apresenta a história do “Lunário Perpétuo” e seu impacto na cultura brasileira, destacando a importância do saber popular.


Em seu samba-enredo ele traz a figura de um Caboclo e como o seu conhecimento pode ajudar.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Porto da pedra

Beija-flor de Nilópolis:

Enredo: “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila

Beija-flor de Nilópolis apresenta um enredo sobre as nobrezas de Maceió, de Nilópolis e da Etiópia. A história começa com as festas de Palmares e suas raízes nos cultos africanos e saberes indígenas. 

Em seu samba-enredo a escola traz a figura de um menino, Benedito,  parceiro de boêmios e das noites, o nobre folião das encruzilhadas, que passou a dizer que é Herdeiro da dinastia e das lutas de zumbi. 

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Beija-flor

Salgueiro: 

Enredo: “Hutukara”

Acadêmicos do Salgueiro traz em seu enredo a luta dos Yanomani, que vivem há mais de mil anos na maior Terra Indígena do país, no norte do Brasil e no sul da Venezuela.


Seu samba-enredo traz a batalha que os povos originários precisam ter para sobreviver.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Salgueiro

Acadêmicos do Grande Rio:

Enredo: “Nosso destino é ser onça”

Acadêmicos do Grande Rio possui a narrativa do  “eterno devir” e, a importância do mito Tupinambá restaurado, que representa as cosmovisões das nações indígenas.


Grande Rio traz em seu samba-enredo a onça que seria o nosso destino, os povos originários com tupinambás, também a presença de uma cabocla e a luta que eles precisam enfrentar sempre. 

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Grande Rio

Unidos da tijuca:

Enredo: “O Conto de Fado”

A escola apresenta em seu enredo a conexão entre Portugal e o Rio de Janeiro, usando Orfeu da Conceição como um contador de histórias. Ao longo do enredo, a escola destaca a importância do mar e das navegações a Portugal ao longo dos séculos, com um destaque com celebração da cultura e da fé.


Em seu samba-enredo, Unidos da Tijuca traz a figura da mulher e as divindades que invadem o lugar.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Unidos da tijuca

Imperatriz leopoldinense: 

Enredo: “Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda”

O enredo da Imperatriz Leopoldinense é o conto de uma cigana, Esmeralda, que deixou em seu testamento os ensinamentos para que os sonhos possam ter

compreensão ou a sina de uma pessoa ser revelada.
Seu samba-enredo traz a figura de uma cigana e a leitura da palma da mão, que é uma característica relacionada a esta cultura. A música também conta com a frase de um ponto, oração em forma de música que é característica da Umbanda, no qual diz: “O que é meu é da cigana, o que é dela não é meu”

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Imperatriz

Mocidade independente de Padre miguel:

Enredo: Pede Caju que dou… Pé de caju que dá!

A Mocidade apresenta em seu enredo a celebração do caju como um símbolo da cultura brasileira e sua conexão com a Tropicália. Ele explora a história do caju no Brasil, desde sua importância entre povos indígenas até seu papel nas disputas coloniais.

Em seu samba-enredo a Mocidade explora referências a cultura brasileira e a figura de povos originários.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Mocidade

Portela: 

Enredo: “Um Defeito de Cor”

O enredo da Portela para o carnaval de 2024 é baseado no romance da escritora Ana Maria Gonçalves: “Um defeito de cor”, contudo ele traz a ancestralidade do sagrado feminino, através do terreiro da mãe Mahim. 

O samba-enredo tem a figura de vários Orixás, como Xangô, Oxum e Iemanjá e é possível ver as associações com eles e a importância do povo preto.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Portela

Unidos da Vila Isabel:

Enredo: “Gbalá: uma viagem ao Templo da Criação”

O enredo conta com uma narrativa fictícia, utilizando a cultura Yorubá, com uma reflexão sobre o planeta e a possibilidade da salvação através da figura de crianças. Ao longo da história a escola traz Oxalá para manter a Terra em harmonia.


Em seu samba-enredo conta com a figura de alguns Orixás e o encontro com Olorum (Deus). 

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Unidos da vila isabel

Estação Primeira de Mangueira:

Enredo: “A Negra Voz do Amanhã”

Em 2024, Mangueira irá homenagear Alcione, uma mangueirense histórica. No desfile, a história de Alcione será narrada a partir da fé, das tradições do Maranhão e da música que a acompanhou desde a infância.


Seu samba-enredo traz a figura de Orixás como Xangô e Iansã. Ao longo da música, é possível perceber a utilização de uma frase de um ponto da Umbanda: “Arreda homem que aí vem mulher”, que neste contexto, Alcione a mulher representada.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Mangueira

Paraíso de tuiuti:

Enredo: “Glória ao Almirante Negro!”

Paraíso de Tuiuti traz um Brasil, entre o final do século XIX e o início do século XX, João Cândido Felisberto, filho de escravos, se destacou como líder na luta contra a opressão na Marinha. 

Em seu samba-enredo a escola traz a figura de Yemanjá e, a representação do povo preto no Brasil. 


Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Paraíso do tuiuti

Unidos do viradouro:

Enredo: “Arroboboi, Dangbé”

A escola irá falar sobre a importância do culto à serpente, Dangbé, na região da Costa da Mina, especialmente em Uidá, onde ela foi associada à vitória em uma batalha contra o reino de Aladá. A narrativa enfatiza a importância da solidariedade, da fé e da conexão com a natureza no culto aos voduns, que persiste no Brasil e é transmitido de geração em geração.

O samba-enredo traz o candomblé e um Brasil mais africano.

Clique aqui para ouvir o samba-enredo da Viradouro

Eu já tenho um samba-enredo preferido, e você? Compartilha com a gente!

Axé,

Até mais! 

Texto escrito por: Maria Eduarda Decourt

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