Dia das Bruxas, Todos os Santos e Finados, qual a origem e como se manifestam na Umbanda?

Do dia 31 de Outubro a 2 de Novembro três datas são comemoradas: Halloween ou Dia das Bruxas, Dia de Todos os Santos e Finados ou Dia dos Mortos. Dentro dessas comemorações várias crenças se congregam..

Celtas e Samhain 

Algumas vertentes creditam essa sucessão de comemorações ao festival de Samhain, que para os celtas que viveram no Hemisfério Norte da Europa significava a passagem de ano.

Os povos que mantinham três formas de culto (aos antepassados, aos guardiões da natureza, à Grande Mãe e ao Grande Espírito), o ano era dividido em duas estações: fria, giamon (gaélico) e quente, samon (gaélico). Cada uma dessas estações correspondia ao período de um semestre que por sua vez, era dividida em dois trimestres.

A cada passagem desses trimestres os celtas comemoravam o período vivido, e as celebrações se iniciavam ao anoitecer das vésperas que marcavam o fim de uma estação e o começo de outra. Portanto, no Samhain as comemorações iniciavam-se na noite de 31 de Outubro e se encerravam em 2 de Novembro, ao que eles chamavam de lapso temporal. Nem todas as tribos celtas comemorava o final do ano nesta data, porém o Samhain marcava o final de um período de trabalho no campo, por isso, era comum a ceia compartilhada ao qual prestava-se reverência aos que já morreram.

“O Samhain não era simplesmente “O Dia dos Mortos”, mas era a época em que os mortos se misturavam com os vivos. Os ancestrais que haviam partido para o Outro Mundo retornavam durante o Samhain para visitarem seus antigos lares.”

BRUXAS, Lady Miram Black, pág. 167, Ícone Editora

Muitas formas de se relacionar com os mortos era observada nos dias que os celtas contemplavam a colheita, a passagem do ano e a visita dos seus antepassados. Velas eram acesas, lugares a mesa eram reservados, comidas eram deixadas para os espíritos e assim se configurava o que algumas pessoas acreditam ser a origem do Dia das Bruxas.

Halloween!! 🎃

Já a palavra Halloween originou-se da contração do termo escocês Hallo-Hellu ou All Hallows Eve que significa véspera do Dia de Todos os Santos, sendo que Dia das Bruxas é apenas a concepção dos países que falam o português.

Ao Halloween também se atribui a vertente católica de celebração, onde os religiosos estipularam um dia para rezar pelos fiéis que morreram em santidade, intitulado Dia de Todos os Mártires a comemoração foi chamada mais tarde de Dia de Todos os Santos.

Após se entender que as pessoas que não tinham morrido como heróis também necessitavam ser lembradas, e por elas serem feitas intercessões, a igreja católica elege também o Dia de Todos os Mortos. Neste dia são levadas flores ao cemitério e são feitas homenagens aos que já partiram.

Neste misto de asserções essas culturas foram se dissipando pelo mundo e cada vez mais se integrando uma a outra. No Brasil hoje comemora-se o Dia de Todos Santos (01/11) e amanhã Dia de Finados (02/11). Pelo mundo, cabem as mais variadas culturas e formas de se relacionar com as datas.

 

Finados na Umbanda

Na Umbanda no Dia de Finados é prestado homenagens ao Orixá Omolu, que faz parte da Linha de Geração, e trabalha regendo o equilíbrio da criação divina. Desta forma – ao contrário do que muitos pensam – Omolu cuida de tudo que atente contra os sentidos da vida, absorvendo-os e paralisando-os  A ideia negativa que se tem desse Orixá vem do papel desempenhado por ele, já que a Omolu é atribuído o momento do desencarne.

Por isso, a divindade auxilia cortando os laços que se possuía em vida, e seu mistério rege a separação (no momento da morte) entre o corpo físico e espiritual. Por essa função de zelar do pelos términos e pela morte do que precisa se encerrar, é considerado o  Senhor do Cemitério, e junto com Pai Obaluaê tem seu campo de força na Calunga, mais precisamente no cruzeiro das almas.

Morrer é Omolu, fazer a passagem é Obaluaê, nascer em uma outra vida é Iemanjá. O lado direito do cruzeiro pertence a Obaluaê e o lado esquerdo pertence a Omolu, não que ele seja o Orixá da esquerda, mas energeticamente Obaluaê está na direita e Omolu na esquerda porque Obaluaê é universal, e Omolu é retificador

Alexandre Cumino, curso Orixás na Umbanda

Omolu, atraí para si todos os seres que de alguma forma se desvirtuaram e atuam de forma errônea, impedindo a atuação destes. É o Orixá da morte, mas a morte das doenças, enfermidades e males. Por isto, suas várias designações.. dentre elas, O Senhor do Fim.

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A morte para o Umbandista sugere o fim de um ciclo e início de outro. Por isso o Dia dos Mortos ou Finados é um dia de celebração da vida espiritual que é renovada e não de tristeza pela perda física.

O campo santo de Omolu está ligado a Terra e tudo o que esta abaixo dela e isso também explica a relação com os cemitérios. É costume nesta data os adeptos seguirem em procissão aos seus pontos de força e prestarem homenagens realizando o banho de pipoca.

Em algumas tradições, a mitologia de Pai Omolu descreve-o como um homem com muitas doenças de pele e por isso, esta sempre com o corpo todo coberto por palhas secas.

Conta a lenda que certa vez encontrando-se com Iansã, Omolu teve suas feridas transformadas em pipocas, o vento que ela trouxe consigo ao tocar sua pele, o curou das chagas que carregava. No momento também ergueu-se as palhas que cobriam seu corpo e todos se surpreenderam com a figura de um jovem muito bonito.

Dia de Los Muertos – México 

Comemorado na mesma data de Finados, o Dia de Los Muertos faz parte dessa mistura de crenças que culminaram nas festividades do final de Outubro e começo de Novembro e se assemelha e coincide com o Dia de Todos os Santos e Finados comemorado em diversas crenças.

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Tradição fortemente manifestada no México, o Dia de Los Muertos tem origem nas tradições indígenas e se relacionam com os cultos Astecas, a Deusa Mictecacíhuatl, conhecida como ‘Dama da Morte’. Celebrado durante um mês inteiro as festividades voltadas para Mictecacíhuatl remetia-se aos familiares e crianças já desencarnados.

Os adeptos desta cultura, que também está presente em outros países da América Central, enfeitam suas casas com flores, incensos e velas. Preparam-se também comidas e vestes que fazem referência a morte. Na ocasião acredita-se que os espíritos desencarnados tem permissão para visitar seus parentes vivos.

Como dito, por esses três dias várias formas de manifestação cultural e comemoração são atribuídas as datas. Dentro desse assunto temos vários outros desdobramentos a se tratar, o que deixamos é que, cada casa vai considerar uma maneira de se relacionar com esses dias, mas a mais expressiva dentro da Umbanda são as homenagens a Pai Omolu!! Portanto, Salve o cruzeiro as almas! Salve a Calunga!! Atotô meu Pai!!


Texto: Júlia Pereira

Fonte de Pesquisa:

Bruxas, Miriam Black 

Orixás na Umbanda, Alexandre Cumino

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