Candomblé: uma religião urbana e organizada por mãos femininas

Sex, 26 de Agosto, 2016
A religião

O candomblé se constitui no Brasil como uma religião urbana e feminina. Mas, por que? Urbana porque surge no período mais próximo do “final” da escravidão e nesse momento ocorria o encontro dos africanos escravizados que exerciam seu trabalho nos centros urbanos. Nesse cenário um personagem importante foi o escravo (a) de ganho e mais precisamente as mulheres que exerciam essa função.

Quem eram os escravos (as) de ganho?
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Escravas de ganho

Nessa “modalidade” escravagista, o senhores de terra enviava seus escravos para os grandes centros urbanos (moradias coletivas e/ou cortiços), a fim de que esses desempenhassem afazeres, como o comércio e que retornassem com o lucro mínimo estabelecido pelo seu dono.

Nesse contexto a mobilidade do escravo é bem maior do que nas fazendas e as mulheres acabam se destacando. Essa habilidade se justifica porque na África elas já desempenhavam as atividades próprias do comércio que normalmente era vender os pratos feitos por elas.

Os senhores daquela época também, gostavam da famosa ostentação, e sempre que podiam enchiam suas escravas de joias.

Eventualmente os escravos compravam pela sua alforria e quando isso acontecia na maioria das vezes eram as mulheres que conseguiam esse feito. A razão disso se justifica com o sucesso das venda das comidas e também com as joias que essas escravas do comércio ganhavam.

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Joias usadas pelas escravas de ganho – Museu Afro Brasileiro, SP

Por esses motivos o Candomblé se configura como urbano e feminino. As escravas de ganho compram a sua liberdade, ganham mobilidade para se organizar e posteriormente montar o culto aos orixás. Ocorre então, um forte sincretismo que não é só o sincretismo com os santos católicos mas, o sincretismo das Áfricas.

Isso acontece porque o culto dos orixás na África era regional, ou seja, cada região cultuava uma divindade (voduns, inquices, orixás e etc). Aqui, eles congregam entre si, e o Brasil se consolida mais ainda como a terra da miscigenação e da pluralidade que até hoje é a nossa identidade nacional.

Essas divindades que renascem aqui são distribuídas e formam os novos cultos adequados ao contexto brasileiro. Assim nasce as religiões afro-brasileiras, e um pedaço do continente africano muda pra cá e desde então mora conosco.

Ver também: O impiedosos destino dos africanos escravizados 

Família de Santo

Nesse momento o Candomblé toma formato e passa a existir como família de santo, que nada mais é do que o resgate do que mais importava ao africano escravizado: a família que foi perdida no momento da diáspora africana.

“Assim, você vai ter reunido o culto de diversos Orixás nesse grande grupo no terreiro, nessa grande família de santo. Por isso se chama família de santo, cada um trouxe o seu culto, o seu orixá, e esse Deuses serão cultuados ali nesse mesmo espaço, que é o terreiro. E assim o Candomblé se constituí”

Ekedi Prof. Patricia Globo no curso Candomblé – Religião, Cultura e Tradição

AssistaEntrevista Ekedi Patricia Globo ao UEAD entrevista

Então, os grupos que anteriormente pertenciam a regiões e tribos distintas unem forças para reviver sua fé e conceituá-la como família. Uma religião de tradição oral,,que sobrevive ao tempo e a repressão para trazer para o Brasil um pedaço da África que estava sentenciado a ficar perdido no tempo.

Saiba no curso, Candomblé – Religião, Cultura e Tradição. Quais foram os primeiros Ilês, como o Candomblé se insere na sociedade moderna, a hierarquia do terreiro, dentre outros aspectos que traduzem o Candomblé não só como religião, mas como um movimento cultural que ajuda a contar a história do Brasil.

Texto: Júlia Pereira

Imagem: Natalya Osowiec

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obs: os links desse texto estão sujeitos a alteração em razão da disponibilidade do curso na plataforma

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