O que é animismo na Umbanda?

Qua, 16 de Mar, 2016

No texto de hoje, teremos algumas observações sobre animismo e qual o seu significado dentro da Umbanda. É ruim? É bom? Quando acontece?

Animismo deriva da palavra ânima, que vem do latim e que corresponde a alma e/ou vida.

Alguns estudiosos, como o famoso psiquiatra e criador da psicologia analítica Carl Gustav Jung falam sobre isso. De um modo geral, Jung conceitua ânima como a expressão ou personalidade, que o ser encontra em seu inconsciente.

Não nos aprofundaremos nessa vertente do assunto. Mas, é dentro dessa concepção e/ou tradução que o animismo é trabalhado dentro da Umbanda. Entendemos então que o nosso corpo é, portanto, “animado” por uma alma.

E vai ser essa alma que irá sentir e ter intenções, dotando o ser de suas decisões e desígnios. Dentro disso, concluímos que: se nós temos uma alma que nos anima, quando a mediunidade é exercida outra alma também passa animar o nosso corpo.

O corpo então que abrigava apenas a alma do ser, naquele momento se torna o instrumento de trabalho de duas almas, a do médium e a da entidade.

Podemos dizer então, que essas duas almas trabalham em conjunto. A entidade traz o que ela tem para contribuir no momento, e o médium,  que ao mesmo tempo que serve de aparelho também exprime seu conhecimento, auxiliando na composição da mensagem passada ao consulente.

Mas, para que a conexão, o trabalho e a mensagem de ambos seja complementar e equilibrada é necessário que o médium esteja realmente preparado para isso.

Por isso, é mais importante que a preocupação esteja na preparação do médium do que com o animismo em si.

O pronunciamento da alma do médium no atendimento é um fato, e ocorre rotineiramente durante as giras, ninguém está imune a isso.

Portanto, poucos, para não dizer raros, são os casos em que o médium é realmente e totalmente inconsciente.

Pai Rodrigo Queiroz fala disso no curso Mediunidade na Umbanda “Existe uma ideia de que todo mundo é inconsciente ou todo quer ser inconsciente, como se inconsciência fosse o grande trunfo ou o grande retrato da evolução [..] Não se trata de mistificação quando um médium está no transe fazendo o seu melhor e por algum motivo se pronuncia e imprime algo interno também. Não dá pra saber quando isso realmente foi uma vontade do guia de trazer à tona algo que o médium pode colaborar – mesmo estando no meio do transe – ou se o médium se precipitou”.

Como dito, o animismo é algo que ocorre sem que o consulente e até mesmo o médium percebam. Isso acontece, porque o médium que está devidamente preparado e desenvolvido espiritualmente, tem a sabedoria necessária para estabelecer esse contato profundo com o guia.

Sendo assim, ele apoia-se no transe mediúnico de tal maneira, que as duas almas encontram uma conexão perfeita que faz vibrar suas expressões em perfeita harmonia. Nesse contexto, o médium não “atropela” as contribuições que o guia tem a trazer, e este também dá espaço para as expressões do médium.

É claro, que não se sabe até que ponto que é o médium que está falando ou o guia, e isso é o resultado desse transe profundo.

Pai Alexandre Cumino fala sobre incorporação consciente e insconsciente no livro: Médium Incorporação não é Possessão. “Podemos ter médiuns inconscientes que em nada interferem na comunicação, já que esta é a polêmica nos terreiros, mas com sintonia básica e afinidade espiritual negativa.”

Ele continua dizendo que os fênomenos dispõe de menor valor do que a doutrina em si, sendo mais importante uma entidade de luz que não faz uso de muitas caracterizações em seu médium, mas que transmite tudo o que os Orixás esperam, do que um “zombeteiro”.

Levando isso em conta, o animismo acaba sendo o que existe de mais rico e frutífero na experiência mediúnica, pois, a partir do momento em que entidade e médium realmente se fundem em prol da caridade e auxílio ao próximo, terreiro e comunidade transcendem.

Amanhã, o blog vai continuar abordando o assunto do animismo, e nessa perspectiva vamos tratar também sobre a mistificação, e que essa sim, é uma preocupação dentro dos terreiros e ressaltada pelos espíritos. Bom, para saber sobre a diferença entre animismo e mistificação confira o texto de amanhã!!

E para quem quer se aprofundar nesse e outros assuntos sobre a mediunidade, indicamos o curso – que está com inscrições abertas – ministrado e desenvolvido por Pai Rodrigo Queiroz, Mediunidade na Umbanda. CLIQUE AQUI e saiba mais sobre o cronograma de aulas.

Texto: Júlia Pereira

Imagem: Pixabay

Umb_EAD_2014

Cursos com inscrições abertas pelo
www.umbandaead.com.br
e-mail:
contato@umbandaead.com.br
blog@umbandaead.com.br
Tel (14) 3010-7777

obs: os links desse texto estão sujeitos a alteração em razão da disponibilidade do curso e/ou produto

2 comentários em “O que é animismo na Umbanda?

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