Mulheres que fizeram e fazem história..

Ter, 8 de Mar, 2016

Hoje, 8 Março e Dia Internacional da Mulher, disponibilizamos alguns nomes de mulheres negras que protagonizaram embates e conquistas em busca de seus direitos e de seu povo.

É certo que muitas outras mulheres compuseram e compõe a linha de frente na luta pela representação de direitos femininos, porém, hoje optamos por enfatizar algumas dessas, que lutaram não só pelo espaço da mulher, mas, também do afrobrasileiro na sociedade.

No site www.museuafrobrasil.org.br é possível encontrar na área: história e memória, outras personalidades negras que contribuíram para crescimento intelectual e cultural do país; e transitaram por diversas áreas do conhecimento. {Indicamos o acesso}  

Aqualtune

A filha de um dos reis do Congo, após conflitos travados entre os reinos da região em que vivia, passou de integrante da realeza a condição de africana escravizada. Aqualtune foi capturada e  trazida ao Brasil para servir como escrava reprodutora.

Já grávida, e nos últimos meses de gestação organizou a fuga dela e de outros escravos para um mocambo (habitações dos africanos que fugiam da escravidão, geralmente em meio a mata).

Ao lado de seu filho Ganga Zumba iniciou a organização de um Estado Negro, que era chefiado por um líder supremo, e compreendia diversos povos que residiam nos quilombos. Alguns estudos atribuem a ela a maternidade de Sabina, mãe do conhecido líder quilombola, Zumbi dos Palmares.

Ver tambémA representação do feminino na figura de Pomba Gira 

Dandara

Continuando na família do Quilombo dos Palmares, encontramos Dandara, guerreira, agricultora e dona de exímia habilidade na arte da capoeira.

Foi companheira de Zumbi dos Palmares e segundo algumas biografias teria influenciado o guerrilheiro a não ceder ao “tratado de paz” do governo, que previa que eles entregassem os novos escravos fugidos em troca da liberdade dos nascidos em Palmares. Essa posição ocasionou o rompimento de Zumbi com Ganga Zumba (tópico acima), um dos líderes do quilombo e tio de Zumbi dos Palmares.

Ao ser capturada, em 1694, algumas histórias apontam para o suicídio de Dandara. Já que  a guerreira preferia morrer ao retornar a condição de escrava. Dentre outras narrativas, remontam também sua morte a um embate travado no mocambo dos Macacos que fazia parte do Quilombo dos Palmares.

Sua história e vida, envolve muitos mitos e lendas, já que a vida do negro raramente era levada em consideração e disseminada pela historiografia oficial. O que existe são documentos que confirmam a existência do Quilombo dos Palmares, mas sobre as experiências de Dandara, as crenças populares se encarregaram de revive-la. Veja: Cordéis, de Jarid Arraes

Carolina Maria de Jesus

De origem humilde, construiu sua casa e manteve o sustento dos filhos com os ganhos provenientes de sua função como catadora de lixo. Alfabetizada, cursou até o segundo ano do ensino primário.

Carolina Maria era moradora da favela do Canindé, e passava os finais de dia registrando seu cotidiano em uma caderneta que encontrou em meio aos papéis que coletava.

Após, o encontro com o jornalista Audálio Dantas, a escritora teve sua obra, “Quarto de Despejo” lançada, o qual garantiu destaque na mídia nacional e internacional, tornando-se best seller na América do Norte e Europa.

A escritora faleceu em 1977, de insuficiência respiratória, e imersa em uma situação de extrema pobreza e miséria.

Ver: Carolina em HQ

Mãe Stella de Oxóssi

Stella de Azevedo dos Santos, líder espiritual e intelectual, é Mãe de santo, do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos símbolos nacionais de resistência da cultura negra.

Autora de livros sobre a religiosidade africana, é a primeira líder religiosa a escrever sobre essa temática. Dona de uma das cadeiras na Academia de Letras da Bahia, tem seu nome disseminado internacionalmente, sendo conhecida pela luta por igualdade e combate às diferenças.

Ver também: Candomblé: uma religião urbana e organizada por mãos femininas 

Ruth de Souza

Primeira atriz negra a conquistar o palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Na época em que Ruth sonhou ser atriz e decidiu ingressar no Teatro Experimental do Negro – liderado por Abdias Nascimento – era comum atores brancos se pintarem de preto para interpretar um personagem negro, já que essa camada da população era impedida de produzir arte.

A atriz ganhou destaque e garantiu assim uma bolsa de estudos para cursar teatro nos Estados Unidos. Dona de diversos prêmios, interpretou em 1960 a escritora Carolina Maria de Jesus (tópico 3), que considera um dos seus melhores trabalhos.


A lista dessas mulheres continua, e é beeeem extensa. Nosso objetivo é evidenciar algumas delas e assim chamar para a representação da mulher negra na sociedade e na história, que em diversas ocasiões passa desapercebida.

Texto: Júlia Pereira 

Imagem: Flickr/Reprodução

Links úteis: Mural Memória das Mulheres Negras

 

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