Para não se esquecer de benzer

Para algumas tradições normalmente as mais antigas, é algo que vem carregado de restrições quanto a seu ensino, entendendo isso como uma maneira de protegê-la. Já em outras tem-se a concepção da necessidade de fazer o resgate cultural e passar adiante seus conhecimentos. Conheça a história de pessoas que lutam para manter a prática do benzimento viva. 

Dado o devido respeito as duas formas de se pensar sobre a benzedura, lembremos nesse momento o primeiro contato com essa prática. A forma acolhedora e empenhada com que os benzedeiros abençoam a quem carece, pode ser a receita do sucesso do benzimento.

Parteiras, rezadeiras, benzedeiros, curandeiros ou seja qual for o nome dado a quem a pouco tempo era a única forma de cura de males para muitas pessoas, estão cada vez menores em quantidade.

As detentoras (es) de sabedorias e conhecimentos com a reza e manejo de ervas estão se tornando personagem raros no cenário atual. Um dos fatores que contribuem para a desvalorização dessa prática é a recriminação de algumas instituições religiosas, que apontam o curandeirismo como pecado. O medo de ser autuado em prática ilegal da medicina também colabora para que a tradição seja abafada e por vezes esquecidas.

Em Rebouças e São João do Triunfo cidades do interior do Paraná, foi instituído o Movimento de Saberes Tradicionais (MASA). O movimento conta com os detentores de práticas tradicionais que se organizaram, mapearam e transformaram em número a presença dos benzedeiros (as) nas cidades.

A partir disso, foi cobrado da prefeitura a regularização da situação destes perante a sociedade, já que diversas dessas pessoas já teriam corrido risco de serem presas por praticar o benzimento.

O resultado desta união, foi a Lei 1401/2010 que dispõe sobre o processo de reconhecimento de ofícios tradicionais de saúde popular em suas distintas modalidades: benzedeiros (a), curadores, costureiros (a) de rendidura ou machucaduras e regulamenta o livre acesso à coleta de plantas medicinais ativas no município de Rebouças. A lei também estabelece que cada uma dessas benzedeiras (os) receberão após constatado seu trabalho, uma carteirinha regulamentando o ofício.

Resgate das tradições Benzedeiras

A importância da presença dessas pessoas no cenário atual não está apenas na riqueza da cultura que isso representa, mas também em como elas podem auxiliar no conhecimento das ervas e no cultivo destas. E para quem acha que o benzimento não tem propriedade de cura real, a prefeitura de Rebouças também incrementou em um dos parágrafos da lei, que os serviços prestados pelos Detentores de Ofícios Tradicionais deverão ser inclusos no sistema de saúde municipal, como instrumentos complementares de terapia na saúde pública do município.

Documentário Benzedeiras – Ofício Tradicional

Hoje é perceptível a dificuldade de se encontrar alguém que benze. Iniciativas como as das benzedeiras do interior do Paraná precisam ser reconhecidas, registradas e disseminadas. E é o que a cineasta e pesquisadora Lia Marchi fez. O documentário Benzedeiras – Ofício Tradicional foi lançado no início deste mês e conta um pouco da história de resistência das mulheres de Rebouças e São João do Turvo. No trabalho é apresentado um pouco do dia-a-dia das benzedeiras, suas rezas e práticas. Clicando no link (nome do documentário) você pode assistir o material que está disponível no youtube.

Curso Benzimento – Via plataforma EAD

Com uma filosofia sobre o benzimento diferente da normal, em que os mais antigos pregavam que o conhecimento só poderia ser repassado mediante autorização ou a pessoas designadas a isso. A tradição da benzedura encontra formas de se estabelecer novamente na cultura moderna e urbana através do Curso Benzimento, ministrado pelo sacerdote Jorge Scritori, na plataforma Umbanda EAD.

O curso tem o intuito de ensinar as práticas que estavam se perdendo, dado a realidade de que algumas delas realmente já foram extintas e trazê-las para o conhecimento da população. As aulas ministradas via plataforma on line, tem duração de 2 meses e não há nenhum pré-requisito para ingressar. O curso que é voltado para todos os credos e não distingui a quem ensinar, tem suas inscrições encerradas hoje (19/11). Quer conhecer essa cultura? Clique no link com o nome do curso e matricule-se!

Texto: Júlia Pereira

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